Ato do 8 de março em São Paulo denuncia a violência machista

MML exigiu do Governo Dilma a aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha
Diego Cruz

A tradicional manifestação do Dia Internacional de Luta das Mulheres em São Paulo reuniu diversas organizações feministas, entidades sindicais e do movimento popular, além de partidos de esquerdas. Sob um forte calor e um sol inclemente, a concentração começou logo no início da tarde na Praça da Sé. Faixas e cartazes denunciavam a opressão e a violência machista. “Para a violência acabar/ a Lei Maria da Penha Dilma tem que aplicar” foi uma das palavras de ordem cantadas no ato.

“Esse 8 de março começou logo em suas primeiras horas com um fato muito importante que foi a condenação do goleiro Bruno pelo assassinato de Eliza Samúdio que, como muitas mulheres, morreu vítima da violência machista”, lembrou Camila Lisboa, representando a CSP-Conlutas no carro de som. “O problema é que Bruno, ao contrário do que normalmente acontece, foi preso e condenado, sendo que a grande maioria dos agressores ficam impunes”, denunciou, ressaltando ainda que as mulheres lutam não só contra a violência física, mas também contra a “violência capitalista que provoca o assédio, a exploração e a opressão todos os dias contras as mulheres trabalhadoras”.

“Da minha licença,não abro mão/ Pro ACE eu digo não”
Além da violência, a defesa dos direitos das mulheres também foi lembrada nesse dia. Como destacou Camila, que também integra o Movimento Mulheres em Luta, entidade feminista filiada à CSP-Conlutas, “Estamos aqui também para denunciar esse projeto do ACE, que se aprovado vai atacar os direitos das trabalhadoras”, afirmou. “Marchamos hoje aqui, mas também vamos marchar em Brasília no dia 24 de agosto”, disse, em referência à manifestação contra o projeto do Acordo Coletivo Especial convocado pela CSP-Conlutas e um conjunto de entidades sindicais.

Após a concentração, os manifestantes saíram em passeata percorrendo as ruas do centro da capital paulista. Em seu auge, o ato chegou a reunir 5 mil pessoas, segundo a organização. O bloco reunido em torno do Movimento Mulheres em Luta aglutinou cerca de 300 pessoas, com uma bateria animada e muitas palavras de ordem.

Próximo do término do ato, uma chuva amena que começara pouco antes se transformou em uma forte tempestade, com ventos violentos. A tempestade, bem pior do que as últimas que vem castigando Sâo Paulo, não foi capaz de acabar por completo com o ato, e mesmo ensopadas, centenas de manifestantes ainda finalizaram a manifestação em frente ao Teatro Municipal.

No final do ato, Ana Luíza, ex – candidata a prefeita de São Paulo, em nome do PSTU, resgatou a luta das mulheres e homens indianos contra os altos índices de estupros na Índia e afirmou que a luta pela libertação das mulheres precisa ser uma luta contra o capitalismo. “O machismo divide a nossa classe e quem se beneficia é o capitalismo. Precisamos juntos, homens e mulheres trabalhadoras, lutar contra a opressão e exploração, lutar por uma nova sociedade, uma sociedade socialista”