Assembléia decide parar a UnB nesta sexta-feira

Estudantes querem ampliar a luta, com ocupações em todo o paísEm assembléia com quase 2.000 pessoas, estudantes da Universidade de Brasília (UnB) aprovaram um dia de paralisação nesta sexta-feira, 11 de abril, com mobilização. A assembléia foi maior do que a anterior, na segunda-feira, que reuniu 1.300 pessoas. Cantando “ocupa, ocupa, ocupa e resiste!”, os estudantes decidiram manter a ocupação e só retomar as negociações com a reitoria assim que o fornecimento de luz e água do prédio da reitoria for reestabelecido. A reitoria cortou, pela segunda vez, a água e a luz do prédio. Na noite de terça-feira, um estudante caiu de uma rampa a uma altura de quatro metros por causa da escuridão.

A assembléia chamou a expansão da luta para outras universidades, com ocupações simultâneas de reitorias pelo país, em defesa da educação. Os estudantes também aprovaram um amplo debate sobre as fundações privadas que estão cada vez mais se infiltrando nas universidades públicas e fazem parte do projeto de reforma universitária do governo Lula.

A reitoria da universidade está ocupada desde o dia 3 de abril em protesto contra o reitor Timothy Mulholland. Os alunos exigem a saída imediata do mesmo e de seu vice, Edgar Mamiya. Nesta quinta-feira, os professores decidirão se são favoráveis ou não à permanência do reitor. Segundo a Agência Brasil, os docentes farão uma votação e esperam a participação de mais de 1.500 professores.

Não param de chegar moções de apoio aos ocupantes vindas de todo o país. No blog da ocupação, já são dezenas de mensagens de entidades e de pessoas que se solidarizam com a luta da UnB. Entre os apoios, está uma nota da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), em que a central “conclama a todas entidades sindicais, movimentos populares e sociais e todo o movimento estudantil do Brasil a manifestarem seu apoio e solidariedade aos estudantes da UNB”. A nota também exige “democracia na gestão das universidades para acabar com esses favorecimentos e a corrupção” e que o governo Lula e o Ministério da Educação (MEC) atendam as justas reivindicações dos estudantes e não reprimam a sua legítima manifestação.

O apoio não vem apenas de entidades sindicais e estudantis. Na noite de quinta-feira, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF) estiveram na ocupação para conversar com os estudantes. O jornalista Marcelo Tas, em seu programa CQG (Custe o que Custar), na Bandeirantes, apresentou um quadro em apoio à luta dos estudantes.

Motivos e reivindicações
A atual mobilização começou em protesto aos escândalos de corrupção envolvendo o reitor da universidade. Ele é acusado de ter, em seu apartamento, móveis e objetos de luxo – entre eles, uma lixeira de R$ 1.000 – que teriam sido comprados com verbas da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), através de um cartão corporativo.

Mulholland também utilizava um carro que custou R$ 70 mil e também teria sido comprado com dinheiro da Finatec. O fato foi denunciado pelo Ministério público do Distrito Federal e amplamente divulgado por toda a imprensa.

A essa pauta, os estudantes acrescentaram outras reivindicações que estão diretamente relacionadas às fundações e à reforma universitária. Eles exigem eleições paritárias para a reitoria – em que o voto de alunos, funcionários e professores tenham o mesmo peso – e que os móveis e objetos comprados com a verba da Finatec sejam leiloados e o dinheiro usado para melhorar a assistência estudantil.

O movimento, desde o início, contou com um amplo apoio. A prova disso foi a reocupação, na segunda-feira, quando os estudantes que estavam do lado de fora do prédio romperam o bloqueio dos seguranças e se somaram aos estudantes que já ocupavam o gabinete do reitor. As agressões dos seguranças, as ameaças e tentativas de repressão não enfraqueceram a ocupação. Pelo contrário, o número de estudantes e a mobilização têm crescido a cada assembléia.

Agora, é necessário construir uma forte paralisação nesta sexta e parar a UnB. E, além disso, transformar essa batalha numa luta contra o que realmente tem destruído a educação: a reforma universitária e o projeto do Reuni do governo Lula, que põe as universidades nas mãos do capital privado e a serviço do mercado.