Assassinato de Dorothy Stang: uma morte anunciada e um governo hipócrita

Dorothy Stang
CMI

O assassinato de irmã Dorothy, no Pará, é mais um exemplo de como as políticas de Lula estimulam a impunidade na mesma proporção em que beneficiam o latifúndioNo sábado, 12 de fevereiro, a freira Dorothy Stang foi brutalmente assassinada com seis tiros disparados à queima-roupa por pistoleiros, a mando de grileiros e madeireiros da região de Anapu, no Pará.

Conhecida internacionalmente por sua atuação em projetos de desenvolvimento sustentável e na luta pelos direitos humanos, irmã Dorothy (de 73 anos, 40 deles vividos no Brasil, onde ela havia se naturalizado) é mais uma vítima da luta pela terra e da impunidade que cerca os assassinos de lutadores. Uma impunidade da qual Lula e todo o seu governo são criminosamente cúmplices.

Assassinato a luz do dia
Em uma clara demonstração da facilidade com que atuam, os pistoleiros assassinaram a freira em plena luz do dia e na presença de parte da população. Isso depois de terem feito ameaças durante anos. Fato que foi amplamente denunciado por Dorothy Stang, inclusive ao ministro Nilmário Miranda, dos Direitos Humanos, e em rede nacional, menos de uma semana antes do crime.

Uma situação que não só aumentou a indignação de todos, como fez com que muitos identificassem o governo e sua política como os responsáveis que se encontram por trás dos pistoleiros e dos mandantes. Algo que o governo tentou negar, enviando para a área alguns policiais e um pelotão de políticos e ministros (dentre eles Marina Silva, do Meio Ambiente, e o próprio Nilmário), chegando a declarar que a freira não tinha proteção por não a ter requisitado.

Uma hipocrisia que a poucos engana. Como a advogada da Comissão Pastoral da Terra, Rosilene Silva, declarou à imprensa, “por várias vezes, irmã Dorothy denunciou que estava sendo ameaçada e nada foi feito; agora, depois que ela foi assassinada de forma covarde, todas as autoridades da segurança pública resolveram se reunir em Anapu”.

Quando fechávamos esta edição, auxiliados pelo descaramento dos pistoleiros, o governo começava a apresentar as pistas que poderiam levar aos suspeitos e prometia “punição exemplar”. Mas, enquanto isso, há outros 30 sindicalistas ameaçados de morte na região (sendo que apenas um deles está sob proteção policial).

Justiça só virá com a luta
Dentre as demonstrações mais asquerosas da hipocrisia governista estão as declarações da senadora Ana Júlia (PT/PA). Na tentativa de isentar o governo Lula, ela afirmou que os únicos responsáveis são o governo estadual, sua polícia e os grileiros, todos eles orquestrados para “desmoralizar o governo federal”, diante de suas “ações efetivas” em relação à questão agrária.

A verdade é bem outra. A morte da freira é mais um lamentável capítulo em uma história que inclui Chico Mendes, os sem-terra de Corumbiara e Eldorado dos Carajás e milhares de outros que foram vitimados pela combinação de concentração latifundiária, impunidade e negligência criminosa dos sucessivos governos e de todo o aparato do Estado.

Uma história que Lula já demonstrou não estar disposto a mudar. Algo que só poderá acontecer através da organização e luta de todos que querem terra e justiça. O que, já não há dúvidas, só pode ser feito em aberta oposição ao governo Lula, que escolheu como aliados aqueles se ordenaram os disparos que provocaram a morte de irmã Dorothy e tantos outros.