Às ruas contra a pizza

Milhões e milhões de trabalhadores já romperam com o governo. Mas, na consciência de outros milhões, que seguem apoiando Lula, está o medo da volta de PSDB/PFL. Durante a crise do governo Allende, no Chile em 1973, também se viram faixas dizendo “Este governo é uma merda, mas é meu governo”.

Existem duas diferenças básicas da situação do governo Lula e a de Allende. A primeira é que não existe nenhum motivo real para que as massas entendam este governo como seu. Nem sequer fez qualquer uma das reformas feitas por Allende, que incluíram a estatização das minas de cobre e bancos, assim como uma reforma agrária. Ao contrário, Lula está aplicando um plano econômico neoliberal, muito ao gosto do FMI. Não por acaso, o emissário do governo Bush, John Snow, não se cansou de elogiar Lula.

Em segundo lugar, Lula não está de forma alguma ameaçado por um golpe militar como estava Allende. A história do “golpe das elites” contada por CUT, UNE e MST não passa de uma mentira para encobrir o apoio ao governo. Exatamente por estar aplicando o mesmo plano econômico de FHC, a burguesia não pensa em nenhum golpe. Mas quer, com esta crise, enfraquecer Lula, para retomar o governo nas eleições de 2006.

No entanto, apesar desses fatos, esse setor amplo dos trabalhadores segue apoiando Lula, mesmo não tendo nada que defender nele. Isso se dá porque esse é um governo de Frente Popular, que produz esse tipo de ilusão: um partido que nasceu dos trabalhadores aplica um plano da grande burguesia. Os trabalhadores têm a ilusão que este governo é seu, e só a dura experiência da realidade pode fazê-los mudar de idéia.

Fim de uma utopia reacionária
Para disputar a consciência dos trabalhadores, os ativistas mais conscientes devem fazer uma profunda reflexão do que significou a experiência do PT. Na verdade, com esse partido está morrendo uma utopia reacionária, a de mudar o país pela via eleitoral. Todas as “táticas” que justificavam a unidade com os partidos burgueses para ganhar as eleições, a redução do programa ao que poderia ser aceitável para a burguesia, demonstraram ser uma opção estratégica integrada à democracia dos ricos e corruptos. As “táticas realistas” terminaram justificando o mensalão para “poder governar”. E deu no que deu.
Não é possível mudar o país pela via eleitoral, por dentro desta democracia dos ricos e corruptos que aí está. Será necessário fazer uma revolução para que o povo possa comer, ter emprego, para romper com o imperialismo, ter uma reforma agrária, e até mesmo para acabar com a corrupção.
Nós do PSTU não enganamos os trabalhadores e jovens. Não acreditamos em nenhuma alternativa real para o povo brasileiro com este governo, ou com este Congresso. Será uma grande mobilização popular, ao estilo das Diretas Já ou Fora Collor, ou ainda uma greve geral que possibilitará derrubar este governo e o Congresso. E a alternativa que teremos de construir não será mais uma eleição, para reconduzir o PSDB/PFL, ou o mesmo o PT ao governo. Nós apontamos para a necessidade de uma revolução socialista neste país.

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