As estranhas alianças do P-SOL

Apoio a candidata governista do Rio de Janeiro

André Freire, do Rio de Janeiro

A grande imprensa vem dando destaque ao apoio da senadora Heloísa Helena, dirigente nacional do P-SOL, à candidata à Prefeitura do Rio de Janeiro pelo PCdoB, Jandira Feghali. Outros dirigentes do P-SOL, como o ex-deputado Milton Temer e o intelectual Carlos Nelson Coutinho estão integrados ativamente na campanha.

O P-SOL tenta apresentar a candidatura de Jandira com uma aparência de “independência” do governo federal, mas na essência essa candidatura é tão governista quanto a de Jorge Bittar, do PT. O fato de Jandira Feghali ter votado contra a reforma da Previdência escamoteia a maioria das votações na Câmara dos Deputados, onde ela apoiou medidas governamentais. Entre elas, a reforma do Sistema Financeiro, o projeto que institui as Parcerias Público Privadas e a operação abafa da CPI no caso Waldomiro Diniz.

Esperamos que os companheiros revejam essa posição absurda e desde já chamamos a que somem forças em favor da candidatura de esquerda do bancário Octacílio Ramalho, do PSTU, à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Apoio a partidos burgueses em Maceió e Goiânia

Eduardo Almeida, da redação

O P-SOL se apresenta como uma alternativa de esquerda ao PT, mas infelizmente repete seus métodos em várias cidades do país. Uma parte de seus militantes, corretamente, apóia as candidaturas do PSTU.

Mas a mesma política do Rio de Janeiro é aplicada também em Maceió, com o apoio de Heloísa Helena a Régis Cavalcante, do PPS, o partido burguês de Ciro Gomes, ministro do governo Lula.

O candidato apoiado por Heloísa em Maceió acertou uma coligação que tinha como vice o senador Teotônio Vilela, do PSDB. Na véspera do registro da chapa, Teotônio Vilela recuou, e o PMDB (que também estava na chapa) retirou seu apoio, decidindo lançar um outro nome, agora do PMDB, à Prefeitura. Sobre isto, o PPS de Maceió publicou em seu site: “Como era de se esperar, depois da renúncia do senador, o caminho natural do PSDB e do PMDB, seria a manutenção da coligação a ser formada com o PPS.” Mas, como isso não se deu, o PPS lamentou a retirada do apoio destes partidos, criticando sua “falta de ética”. Vejam só, o candidato apoiado por Heloísa Helena em Maceió tentou, de todas as maneiras possíveis, acertar uma coligação com o PSDB e PMDB, que só não se concretizou porque estes partidos recuaram na última hora.

Uma das fitas mais divulgadas por Régis Cavalcante em seus carros de som, é a de Heloísa Helena apoiando sua candidatura.

Como o PPS é um partido burguês, não nos surpreende esta quase aliança com o PSDB e o PMDB. O que nos estranha é Heloísa apoiar este partido.

Outro escândalo de grandes dimensões, este em Goiânia, é a coligação do P-SOL com o PTC (Partido Trabalhista Cristão). A principal figura pública do P-SOL, o vereador Elias Vaz, segue filiado ao PV para poder concorrer à reeleição, já que o P-SOL não tem legenda. Elias está coligado com o PTC, tendo Rannieri Lopes como candidato a prefeito. O PTC é o antigo PRN, de Fernando Collor (que agora está no PRTB), o maior exemplo de corrupção deste país. O ex-governador de São Paulo, Celso Pitta, também se abrigou nesse partido por um período, depois dos escândalos nos quais se envolveu.

Elias Vaz é membro do MTL, uma corrente do P-SOL, que tem Martiniano Cavalcante, também de Goiânia, na Executiva Nacional do partido. É um exemplo do vale-tudo eleitoral muito semelhante a toda a trajetória do PT.

A aliança P-SOL e PTC em Goiânia, o apoio ao PPS em Maceió e o apoio ao PCdoB no Rio são incompatíveis com um partido que se propõe a ser uma alternativa ao PT. Renovamos o chamado ao P-SOL para construirmos uma frente nacional de oposição de esquerda e socialista ao governo Lula e seus representantes nos estados e municípios.

Os militantes desse partido devem exigir uma correção dos rumos do P-SOL, para que não terminem construindo um outro PT.
Post author
Publication Date