As esperanças em Obama

Em meio à crise econômica e ao atoleiro iraquiano, o imperialismo procura uma saída viável, criada por dentro do regime. Uma saída que tenha condições de enfrentar explosões sociais dentro dos próprios EUA, além de retomar o papel de liderança imperialista do país. Assim, Obama pode ser de grande utilidade para a burguesia dos EUA e servir como um instrumento pra velha dominação imperialista, com um novo rosto.

Obama sofre de preconceito racial. A segregação e o racismo têm ainda muito peso na sociedade norte-americana. Muitos norte-americanos dizem que não vão votar no democrata porque ele é negro. Uma eventual eleição de Obama, por exemplo, certamente vai provocar ilusões na população negra do país (e mesmo no Brasil ou África), que vai se sentir representada.

Mas a eleição de Obama não vai significar o fim do racismo. A sociedade é dividida em classes sociais, o racismo está estreitamente ligado à exploração capitalista. Obama não vive nas mesmas condições dos negros na periferia de Nova Iorque ou de Los Angeles. Não sofre repressão policial. Não sentiu na pele os efeitos do desastre do furacão Katrina. Obama é um político burguês que contribui para a exploração de outros negros. A superexploração capitalista usa o racismo para garantir salários baixos para os trabalhadores negros. Sem acabar com o capitalismo, é impossível terminar com o racismo.

Tal expectativa de mudança já é também visível até mesmo na América Latina. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que por anos se utilizou de uma retórica anti-Bush, já demonstra os limites de seu suposto antiimperialismo. Recentemente, Chávez disse que deseja dialogar com o “homem negro da Casa Branca”. Afinal Chávez acredita que o imperialismo acabará após a eleição de Obama?

Obama não quer acabar com o imperialismo norte-americano. Ao contrário, quer reforçar a posição de liderança do país, em crise pelo fracasso na guerra do Iraque e pela recessão econômica. Por isso, propõe fortalecer a guerra no Afeganistão, aumentar o exército em 65 mil novos soldados e 27 mil novos fuzileiros. Também defende o aumento em gastos no desenvolvimento de armamento militar e quer criar um destacamento de 25 mil civis (engenheiros, médicos, advogados etc.) chamado Civilian Assistance Corps, prontos para atuar junto às tropas após cada intervenção militar.

Por outro lado, Obama terá que atacar duramente os trabalhadores dos EUA para enfrentar a crise. Algo que vai se chocar com todas suas promessas de cortar impostos dos mais pobres. O próprio Joseph Biden, vice de Obama, reconhece que o democrata será obrigado a empreender ações profundamente impopulares na política interna e na externa, meses após assumir seu posto. Em reuniões a portas fechadas com recolhedores de fundos do Partido Democrata, Biden disse que seriam tomadas “decisões incrivelmente duras” para resolver a crise econômica e as duas guerras herdadas do governo Bush.

O vice de Obama ainda arrematou: “Se as decisões [tomadas por um eventual governo Obama] forem populares, provavelmente elas não serão as mais acertadas”. Só faltou Biden reconhecer que no momento é preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão.

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