Rebeldia-BH

  1. Retomar e intensificar imediatamente as mobilizações contra o golpismo e em defesa das liberdades democráticas: dia 11 vamos às ruas!

    29M em Belo Horizonte. Foto Gustavo Olimpio

Bolsonaro subiu o tom golpista: não só com a reunião com os embaixadores, mas com suas repetidas críticas às urnas e à confiabilidade das eleições no Brasil em várias entrevistas e lives. Hoje, a cada dia mais pessoas e setores, da burguesia inclusive, sabem aquilo que a gente desde o início veio denunciando: Bolsonaro sempre quis dar um golpe, fechar o regime e instaurar uma ditadura, ainda que ele não tivesse – e não tenha – as condições para isso.

Frente a isso, o que vamos fazer? Quais as tarefas da juventude para conseguir derrotar o golpismo de Bolsonaro?

É urgente retomar a luta nas ruas, mobilizando todo o conjunto da juventude, da classe e da sociedade. Para isso, foi construído coletivamente um calendário de lutas, que passa a ser o pontapé inicial para esse processo de resistência e enfrentamento ao golpismo. Vamos às ruas dia 11 de agosto, Dia do Estudante que se ampliou num dia nacional de luta contra o golpismo e Bolsonaro, bem como o dia 10 de setembro.

Nessa retomada das ruas, vamos em unidade de ação, mas com independência de classe. A unidade de ação significa que a luta contra o golpismo e em defesa das liberdades democráticas deve se ampliar para todos os setores que se unificam com essa pauta específica; todos os setores e organizações possíveis, da classe ou não, revolucionários ou não, como partidos diversos, esquerda, direita, etc. E a independência de classe significa que, no interior dessa unidade de ação, em meio a todas as alternativas e programas que serão apresentados para a classe, estaremos defendendo uma alternativa comprometida com as necessidades e interesses dos trabalhadores.

É nossa tarefa, nessa unidade, mobilizar a juventude e contribuir para a mobilização da classe trabalhadora para tomar a dianteira desse processo, porque entendemos que, diferente disso, não é possível derrotar nenhum golpismo, o bolsonarismo, ou mesmo um possível golpe. Só a força das massas, com a classe e a juventude tomando a frente, pode impor uma derrota real a seu projeto e suas bases de extrema-direita.

  1. Construir a unidade de ação, mas defendendo um programa da classe trabalhadora

    Rebeldia e PSTU no ato 7S no Rio

Hoje uma grande parcela da burguesia e de representantes do imperialismo saiu em defesa do “Estado Democrático de Direito”, se posicionando contra a narrativa de deslegitimação do processo eleitoral e as ameaças golpistas de Bolsonaro. Vários empresários, federações patronais, banqueiros, assinaram ou reivindicam a carta aberta escrita por professores da USP que defende o “Estado democrático de direito sempre”.

Mas a verdade é que a burguesia e o imperialismo não vão travar a luta necessária para a derrota das ameaças golpistas e do bolsonarismo. Isso porque para eles o problema de fundo não é o bolsonarismo existir, ainda que seja golpista; mas sim que um golpe por agora pode significar instabilidade e prejuízos. Na verdade, extrema-direita, golpe e ditadura sempre existiram para ser uma carta na manga da burguesia e do imperialismo para enfrentar a luta da classe trabalhadora contra as crises e o aprofundamento da exploração. Eles temem mais a classe trabalhadora organizada e mobilizada, situação que passa a ameaçar não somente seus lucros, como a própria estabilidade e existência de seu sistema capitalista, a qualquer golpismo bolsonarista.

Por isso é preciso que no interior da juventude, e também da classe trabalhadora, a gente delimite e defenda um programa com independência de classe, sem vacilação e conciliação, que combine a luta pelos direitos democráticos e contra o golpismo com uma defesa das condições de vida, emprego, salário, saúde, segurança alimentar, moradia, para os trabalhadores e a juventude. É preciso demarcar posição: o combate ao golpismo e à extrema-direita que a juventude e os trabalhadores vão construir deve trazer consigo o seu programa, que enfrenta diretamente a burguesia, a extrema-direita e o bolsonarismo.

Mas na contramão dessa tarefa, a maioria das centrais sindicais, dos movimentos estudantis, movimentos sociais e partidos de esquerda, embora estejam, agora, construindo esse calendário de lutas, não estão de fato compromissados com o desenvolvimento dessa luta. São partidos e entidades que dirigem um conjunto expressivo da vanguarda da juventude e da classe trabalhadora, e o que vemos é um preocupante imobilismo e desserviço por parte de suas direções.

Isso se dá por dois fatores: por um lado, há um entendimento predominante de que eleger Lula seria a saída para derrotar o golpismo (se não a única, a mais importante). A ideia seria derrotá-lo no primeiro turno, para que as próprias instituições do Estado brasileiro tenham melhores condições de tratar qualquer aventura golpista. Foi o próprio Lula que disse que não acredita numa tentativa de golpe, porque as forças armadas “não deixariam”. Assim, ao colocar o peso central da “luta anti-Bolsonaro” na vitória eleitoral de Lula, defendem que, para derrotar Bolsonaro, está valendo qualquer tipo de aliança e composição de um futuro governo, ainda que seja com os mesmos setores que até ontem defendiam e sustentavam Bolsonaro.

Por outro lado, essa mesma candidatura de Lula/Alckmin e o projeto de país que ela representa, na verdade, nos deixa suscetíveis ao golpismo e não caminha em nenhuma direção para derrotar a extrema-direita e o bolsonarismo. Ora, se aliar com direita, extrema-direita e grande burguesia, subordinando ainda mais seu programa aos interesses desses que vêm endurecendo o grau de exploração no país, obviamente não significa derrotá-los ou enfraquecê-los; na verdade os fortalece. E assim cumprem um duplo papel nocivo, pois essa saída serve para reforçar na classe trabalhadora e na juventude a confiança na burguesia.

  1. Preparar a juventude (e a classe) para a autodefesa

    Manifestantes em Bogotá, Colômbia, Dezembro de 2019. Grupo que se autodesignou “Primeira Linha” para defender os atos durante a greve geral.

Além das ameaças golpistas de Bolsonaro, grupos bolsonaristas e de extrema-direita vêm se organizando, se armando, realizando ataques, individuais ou coletivos, estimulados direta ou indiretamente pelo clã Bolsonaro. É parte da defesa dos nossos direitos democráticos exigir do Estado a devida segurança, para garantir nosso direito à liberdade política e à vida; mas é necessário que as organizações e movimentos de luta preparem a juventude e a classe para a autodefesa, porque as instituições burguesas não merecem nenhuma confiança, nem para resistir a uma tentativa de golpe, menos ainda para defender as lutas dos trabalhadores e as nossas vidas.

Isso está muito nítido quando nós, trabalhadores, juventude, mulheres, negras e negros, LGBTIA+, somos sujeitos a todo o tipo de violência, no dia-a-dia, fruto de exploração e opressão, e que não há governo que garanta nossa segurança e faça parar a violência. Quando ousamos resistir e lutar pelos nossos direitos, sofremos repressão, criminalização, perseguição, assassinato.

A verdade é que existe um monopólio das armas e da violência por parte do Estado, das milícias e bandos armados a serviço de latifundiários, grileiros, garimpeiros, desmatadores, burgueses. Nós, por outro lado, vivemos desamparados, desarmados. No sistema capitalista, no fim das contas, nenhuma instituição defende nossa classe e seus setores oprimidos. O Estado capitalista não surgiu para organizar politicamente a sociedade e oferecer segurança para todos, como se todos fossem iguais. Ele surgiu e existe para defender a burguesia, seu lucro, sua propriedade, ainda que para isso signifique atacar nossas vidas e direitos democráticos.

Por isso, a tarefa da construção da autodefesa é central também. Isso significa montar equipes de autodefesa em todos os movimentos estudantis, sindicatos, movimentos sociais, bairros, quebradas. Formar equipes de autodefesa para treinamento em artes marciais e defesa nas manifestações, piquetes de greve, etc. Inclui preparar equipes de autodefesa também para as eleições, preparando a resposta em caso de golpe.

Dentro da “esquerda”, de um lado estão aqueles que chamam os trabalhadores e a juventude a confiarem ao regime capitalista a tarefa de derrotar Bolsonaro e de defesa de seus direitos democráticos e de suas vidas, deixando-os despreparados, desorganizados, desarmados; nós devemos estar do outro, em que apostamos nas próprias forças dos trabalhadores, com base nossa organização, mobilização e autodefesa coletiva.

  1. Construir e defender uma alternativa revolucionária e socialista para a juventude e a classe, que destrua não só o bolsonarismo, mas quem o gesta, o capitalismo

 

Está tudo combinado, tudo se interligando, numa dependência mútua: mobilização, luta, unidade de ação, defesa de nosso programa, classismo, autodefesa; mas precisamos também apresentar uma alternativa de rompimento definitivo com esse sistema capitalista, porque tanto o golpismo, quanto as desigualdades, têm origem no modo de funcionamento do capitalismo.

O capitalismo é a raiz das desigualdades, da fome, miséria; seu funcionamento gera crises econômicas, desperdícios, desastres e crises ambientais, guerras. É resultado da forma irracional de como funciona a produção e a distribuição de riqueza, uma vez que seu objetivo é garantir o lucro de poucas pessoas, em vez do bem-estar ou qualquer outro aspecto da vida humana.

Todas essas crises que o capitalismo gera representam para os trabalhadores corte de direitos, desemprego, rebaixamento dos salários, inflação, fome, uma vez que o lucro da burguesia deve ser sempre preservado. Então, as consequências sociais e políticas dessas crises na maioria das vezes são graves crises políticas, institucionais, revoltas, desconfiança nos partidos; é nesses momentos que a extrema-direita, alternativas golpistas, ditaduras, surgem como uma alternativa para a burguesia seguir explorando. É por funcionar assim que o sistema capitalista também é o responsável por gerar Bolsonaros e Trumps.

Apresentar qualquer alternativa que não proponha colocar um fim a esse sistema é enganar a luta, a classe, a juventude, porque a forma como o capitalismo funciona não permite que essa lógica de exploração e degradação seja alterada; por isso, não permite que suas instituições, governos, parlamentos, tratados, leis, etc, possam agir para resolver de verdade os nossos problemas.

Por isso é preciso apresentar uma alternativa que proponha mexer diretamente nas estruturas da burguesia, a exploração. Não é possível travar uma luta consequente e mortal contra o golpismo, as crises e a fome sem apresentar um programa que aponte para a expropriação das maiores empresas que existem no país, nacionais ou internacionais, tomando-as das mãos dos burgueses e botando sob o controle dos trabalhadores. Sem parar imediatamente de pagar a dívida pública, que desvia a maior parte de nossas riquezas para os bolsos dos grandes imperialistas. Como derrotar de fundo o golpismo, a extrema-direita, sem ter um programa para derrotar a classe e o sistema que os geram?

Por isso, ainda que Bolsonaro esteja entre os representantes mais sórdidos da burguesia, partidos de esquerda que por sua vez não encaram essa realidade e seguem apresentando alternativas que não propõe superar o capitalismo, acabam por apresentar mais uma saída que, de fundo, vai defender a continuação desse sistema.

E aqui retornamos ao debate sobre o programa do PT e a composição da candidatura Lula/Alckmin. Eles não só não se comprometem com a derrota imediata de um possível golpe de Bolsonaro, com a autodefesa da classe e da juventude; como não se comprometem com a derrota do golpismo e da extrema-direita enquanto fenômenos capitalistas. Na verdade, vão atrás de mais e mais radicais setores burgueses. Não é o Alckmin, não são os ex-bolsonaristas que vão à esquerda com Lula; eles se mantém defendendo o que sempre defenderam. É Lula, o PT e o PSOL que se abraçam cada vez mais com o compromisso de defender a burguesia e o capitalismo.

Nas eleições desse ano, está em disputa qual projeto queremos para o país. Frente a todos os projetos burgueses, nós defendemos um projeto de ruptura com o sistema. É por isso que defendemos a Vera e Raquel Tremembé, a única chapa à presidência que está dizendo tudo que falamos aqui. Precisamos de um projeto socialista, e é por isso que vamos com Vera e Tremembé, com o PSTU, e com o Polo Socialista e Revolucionário.

Ainda que possa parecer para muitas pessoas que o socialismo é um sonho utópico, impossível; que derrotar o capitalismo não só é impossível, como não é necessário; é tarefa nossa demonstrar que se existe algo utópico, impossível, é uma solução para nossos problemas convivendo com o capitalismo, ou deixando nossa classe e a juventude a reboque dos setores e instituições burguesas e capitalistas. É aí que apresentamos como alternativa, nas lutas e nas eleições, a organização da classe da juventude para destruir o capitalismo e construir um novo sistema, onde os trabalhadores governam, onde o trabalho e seus frutos estejam à disposição da sociedade, dos trabalhadores, e não do lucro, como é hoje, o que gera essa bizarrice que vivemos.

  1. Organizar nossa rebeldia em organizações revolucionárias que estejam de fato compromissadas com a derrota de Bolsonaro, do golpismo, e do capitalismo

Finalmente, a última tarefa dessa lista é. na verdade. um ponto de partida: para mudar esse quadro é necessário tomar partido e se incorporar a organizações revolucionárias de juventude e de classe, para que coletivamente possamos intervir na luta de classes e cumprir essas tarefas que refletimos.

Por isso fazemos um chamado aberto e sincero à juventude que está ansiosa, receosa, com medo, ou que corretamente entende que sem radicalização não existe saída: se organizem conosco no Rebeldia, porque o Rebeldia é o instrumento que a juventude revolucionária tem para fazer esse combate, disputar a consciência nesse sentido, defendendo uma política consequente para derrotar o golpismo, Bolsonaro, bem como o capitalismo. Porque é de modo organizado e coletivo que a gente constrói junto ao conjunto da juventude, da classe trabalhadora, e das massas, o aspecto da radicalização, da combatividade, independência de classe, fundamentados num programa revolucionário que realmente promova uma ruptura nesse sistema. No lugar de injustiças, desemprego, crises, miséria, desastres ambientais, Bolsonaros e golpes; no lugar de ilusões e desilusões, de entra esquerda, sai esquerda, não resolvendo nossos problemas; um governo dos trabalhadores, num sistema que não esteja subordinado ao lucro, acumulação e exploração, mas sim às necessidades da sociedade, pleno-emprego, saúde universal, educação de primeira, e o bem-estar.