Argentina: Carta de Sebastián Romero

Meu nome é Sebastián Romero e sou um perseguido político do governo Macri.

Eu sou um operário como muitos outros, mas há mais de três meses eu não vejo minha família, meus amigos, meus colegas da fábrica ou meus vizinhos. Estou sendo perseguido como se fosse um terrorista porque fiz parte dos milhares que, em 18 de dezembro, resistimos nas ruas contra o roubo que estavam fazendo aos aposentados no Congresso.

Apesar do fato de terem votado a Reforma da Previdência, naquele dia nós barramos a Reforma Trabalhista e isso eles não perdoam. Há poucos dias, os juízes, Gustavo Hornos e Ana María Figueroa, da Sala I da Câmara de Cassação, negaram-me um novo apelo para não ser preso, assim como foi feito pelo juiz Torres e a Sala II da Câmara Criminal e Correcional.

O governo quer que eu seja preso para por medo em todos aqueles que estão lutando. Peço a todos que compartilhem e divulguem essa carta o máximo que puderem. Como parte da perseguição, fui demitido do meu trabalho na General Motors, onde também era delegado sindical. Meus colegas de trabalho continuam a luta para tirar os delegados sindicais traidores que apoiam as demissões. Muita força companheiros,  é possível vencer!

Para me deixar com medo e desistir, eles me ameaçam e atacam minha família, amigos e meu partido, o PSTU. Até incendiaram o carro de um dos meus advogados, Martin Alderete. Mas a justiça não diz nada sobre isso.

Que autoridade pode ter um governo que tem seu próprio presidente processado por esconder dinheiro do Estado, um governo que matou Rafael Nahuel, Facundo e tantos outros meninos pobres, que esconde que a Guarda Nacional assassinou Santiago Maldonado, que mantém presos sem motivo os companheiros detidos em 14 de dezembro, a Milagro Sala por ocupar  uma praça e que extradita Jones Huala como “terrorista”?

Como é possível que, enquanto eles estão pedindo a captura internacional para  (como alguns meios de comunicação me apelidaram) “o louco do morteiro”, como se fosse do Estado Islâmico, eles estão libertando os militares genocidas da última ditadura? Esta perseguição contra mim e contra Arakaki e Dimas Ponce , aos quais também querem prender, tem que acabar.

Eles querem me prender porque temem que sejamos cada vez mais os que enfrentamos o ajuste de Macri. Mas apesar de não poder ver meus entes queridos, das ameaças e apertos, não vou ceder porque os trabalhadores não arregam.

Eu me sinto como um das centenas de mineiros do Rio Turbio que resistem às demissões, ocupam as minas e enfrentam a Guarda Nacional com o que eles têm em mãos. Eles são um exemplo do que precisa ser feito!

As rebeliões populares de Azul e dos engenhos do norte estão lutando por pão para suas famílias! Nós não podemos continuar aguentando repressão contra os nossos e fome para nossos filhos enquanto passamos a vida trabalhando. Isso não dá mais!

É por isso que quero mandar uma mensagem aos trabalhadores que possam ler esta carta: Não saiamos das ruas! Não permitamos a demissão de nossos companheiros! Não deixemos que nos arruínem com ajustes que nossas famílias vão pagar!

Temos que nos organizar e ir para as ruas lutar contra esse governo causador de fome! Os dirigentes que dizem que querem enfrentar o governo precisam convocar a greve geral e se não o fazem precisamos impor isso pela base!

Não dá mais para continuar como está. Os trabalhadores, as mulheres que lutam por direitos, os jovens e todos os setores populares têm que tirar Macri, assim como tiramos De La Rua em 2001. Fazer assembleias com todos os companheiros em cada local de trabalho, organizar a luta. Não há outro caminho, são eles ou nós.

Viva a luta da classe operária!

Fora Macri!

Tradução: Nea Vieira