`Aliados` impõem uma nova derrota do governo

O não preenchimento dos cargos cobrados pelo PMDB impediu a indicação de engenheiro, feita por Dilma Rousseff, para a Agência Nacional do PetróleoA briga por cargos entre os partido burgueses “aliados” do governo causou mais uma derrota ao governo Lula no Congresso Nacional. Dessa vez até o que seria uma simples indicação para a Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi rejeitada. E a derrota foi amarga, pois foi no Senado, fato que põe por terra as aparentes relações tranqüilas entre os senadores e o governo federal.

Indicado pela ministra da Energia, Dilma Rousseff, o engenheiro químico José Fantine teve o seu nome recusado para a diretoria-geral da ANP, por 12 votos contra 11, na votação da Comissão de Infra-Estrutura do Senado, realizada nesta terça, 12, à noite. Agora resta tentar aprovar a indicação no plenário, tarefa que não será nada facíl.

Não bastaram as promessas do líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna, de que teria garantido a ministra a aprovação do engenheiro. “Fique tranqüila. Já conversei com o pessoal”, disse o líder a Dilma.

O aparente motivo da rejeição teria sido a não indicação de um peemedebista para a direção da Eletronorte. No lugar de indicar alguém ligado ao PMDB, Rousseff indicou para a estatal o irmão do ministro Palocci, Ademar Palocci. O nepotismo do PT desagradou os fisiológicos do PMDB e esses juraram vingança. Como disse o senador ‘Mão Santa’ (PMDB-PI) logo após a votação, “começou o ‘é dando que se recebe’”.

A falta dos preenchimentos dos cargos cobrados pelo PMDB na falida reforma ministerial também contribuiu para a derrota governista. José Sarney não estaria nada contente de ver sua filha ter ficado só na promessa de integrar a equipe ministerial de Lula. Outro fator que contribuiu para a rejeição do engenheiro químico teria sido um recado do governo Lula para agir de maneira mais enérgica na defesa do ministro corrupto Romero Jucá.

Certamente, o governo teria muito mais facilidades para contornar o episódio, não fosse a sua atual fragilidade. A falida reforma ministerial e os sucessivos escândalos de corrupção, envolvendo Romero Jucá e Henrique Meirelles estão desgastando profundamente o governo Lula. Nesse cenário, o governo continua minoritário do Parlamento e poderá continuar acumular sucessivas derrotas até que um novo loteamento de cargos resolva a questão. Por enquanto a crise cria um cenário favorável às lutas contra a agenda neoliberal governista. Para os governistas, como dizia o jogador Túlio Maravilha, do surpreendente Volta Redonda, continua difícil fazer até o fácil.