Aids mata mais que atropelamento e bala de “revorve”

Quem acha que é demais agüentar tanto tiro, atropelamento, violência doméstica, morte por aborto clandestino, ainda não viu nada. Mais que tudo isso, é a Aids que está dando cabo de milhões de mulheres pobres no mundo. Estudo da ONU mostra que a epidemia se alastra e hoje 60% dos infectados pelo HIV são mulheres. No início dos anos 80, o número de homens para cada mulher com Aids chegou a 28 por 1. Atualmente, é de 1,8 por 1.

A principal forma de infecção é o sexo heterossexual. Por isso as mulheres ficam mais expostas, fazendo da camisinha um requisito indispensável, mas que vem perdendo a disputa com a Igreja e o machismo.

Os maiores impulsos para o aumento da contaminação de mulheres vêm da violência sexual e da falta de informação. Na sociedade burguesa, o homem pode ter várias parceiras, mas a mulher tem de se manter fiel e abdicar do preservativo. É a cultura do silêncio, um dos maiores aliados do HIV.

“O crescimento da Aids entre as mulheres, especialmente entre as meninas, se deve às desigualdades que persistem no país”, declarou a pesquisadora Monica Muñoz ao jornal Folha de S.Paulo, no dia 14. “Entre essas desigualdades estão o machismo, a violência, a dupla jornada. São as mulheres, as meninas, que cuidam dos homens quando eles caem doentes”.

PROGRAMA DE EMERGÊNCIA

O inferno que o capitalismo reserva à mulher exige medidas urgentes e bem conhecidas. Mas não custa repetir. O movimento dos trabalhadores precisa exigir imediatamente do governo Lula:

• Pleno emprego para mulheres e homens
• Igualdade salarial
• Creches, lavanderias e restaurantes coletivos e públicos
• Postos de saúde abundantes e de boa qualidade
• Escola pública
• Moradia gratuita e de boa qualidade
• Proteção à mulher agredida
• Punição a todo tipo de discriminação à mulher negra
• Campanhas de prevenção a Doenças Sexualmente Transmissíveis e à Aids
• Distribuição ampla e gratuita de preservativos
• Distribuição ampla e gratuita de remédios
• Educação sexual nas escolas
• Aborto livre em todos os hospitais públicos
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