ABIN: o Big Brother do governo do PT


O Brasil foi para as ruas no mês de junho e lembrou grandes manifestações que o país já protagonizou, como a marcha dos 100 mil em 1968, a campanha por eleições diretas que levou milhões às ruas em 1984, e o Fora Collor em 1992. Naquela época, as formas de espionagem não eram tão sofisticadas como nos tempos de hoje. 

Nos atos realizados no mês passado, era possível ver policias com suas supercâmeras e transmissões ao vivo direto para o comando da polícia. Antigamente, o fluxo de informação não era tão veloz. Mesmo assim, a máquina de espionagem era impressionante. Com a abertura dos arquivos nos EUA, por exemplo, foram encontrados documentos escritos pelo FBI (polícia federal norte-americana) do ano de 1962 que falavam sobre o golpe militar no Brasil. Naquela época, o governo norte- americano, que sequer sonhava com a tecnologia do século XXI, já não encontrava barreiras para conseguir informações. 

Contudo, as formas antigas de revelar um filme, criptografar ou interceptar telegramas já foram deixados para trás. A Internet, o Google, os hardwares, firmwares, softwares e outras ferramentas e parafernálias facilitaram o trabalho das agências de espionagem. Com a Internet e a hegemonia do Google, nossa privacidade é invadida a todo o momento. Dados são diretamente transmitidos para megas programas de espionagem como o PRISM, nome do sistema de vigilância utilizado pelo imperialismo ianque e denunciado recentemente pelo ex-agente da CIA, Edward Snowden.

Espionagem do governo do PT
A ABIN, Agência Brasileira de Inteligência, que se diz uma instituição nova, com apenas 12 anos, é nada mais nada menos do que a continuação do velho SNI, o Serviço Nacional de Informação. Na ditadura militar, esta instituição cumpriu o papel de fornecer informações para prender, torturar, ocultar e acabar com as organizações e militantes de esquerda. 

No governo de FHC, o instrumento de espionagem ressurge “oficialmente” como ABIN, segundo seu site oficial, para “prestar assessoramento à Presidência da República assegurando-lhe o conhecimento de fatos e situações relacionados ao bem-estar da sociedade e ao desenvolvimento e segurança do país”. Na verdade, ela nunca perdeu sua verdadeira função: continuar monitorando os movimentos sociais e os partidos de esquerda.

Com a eleição do Lula, e agora com Dilma, por incrível que pareça, não foi diferente. Essa organização continuou monitorando e perseguindo os movimentos sociais. Recentemente, na hidroelétrica de Belo Monte, um funcionário que se passava por integrante do movimento sindical foi desmascarado com uma caneta gravando uma reunião de operários da obra. Ele trabalhava para ABIN e recebia R$ 5 mil para monitorar as lideranças operárias, informar datas, locais de atividades e reuniões (veja o vídeo abaixo).

Também houve, recentemente, a denúncias sobre espionagem em Suape, refinaria em Pernambuco, e do MST.

Outro fato que é preciso destacar é a aliança dos órgãos de investigação com setores militares e empresas, em especial as montadoras de automóveis. No período da ditadura e ainda hoje, os patrões contratam os serviços dessas agências para demitir e perseguir sindicalistas e membros de organizações políticas.

Passeatas repletas de P2
Nunca se viu tanto “P2” (policial infiltrado) como nas manifestações do mês de junho. Alguns faziam questão de serem notados. Foi visível que, para muitos, essas manifestações foram apenas um treinamento para a Copa do Mundo. Sabe-se, há algum tempo, que o agente em início de carreira é geralmente destacado para espionar movimentos sociais, se infiltrar em suas reuniões e vigiar os passos de suas lideranças. A cara de pau de alguns era tanta que em um dos atos realizados na Av. Paulista, em São Paulo, um agente disse a um fotógrafo do movimento, no momento em que percebeu que estava sendo notado: “Enquanto vocês tiram uma foto nossa, nós tiramos dez de vocês”.

Essa postura mostra que o país em que vivemos não tem nada de democrático. Vivemos em uma ditadura camuflada de democracia. Esses serviços secretos servem para favorecer a ação truculenta da Polícia Militar nas manifestações. Líderes do movimento estão sendo presos por nenhum motivo. Claramente um trabalho de inteligência feito para acabar com o movimento.

O governo do PT, que se diz dos trabalhadores, teve no passado suas lideranças presas e torturadas. Uma vez que passou a governar para os empresários, banqueiros e latifundiários, mostra toda a sua face repressiva: não aceita greve e manda bater em quem protesta. Quem manda reprimir e assassinar índio – como se viu recentemente no Mato Grosso do Sul – não merece o nosso respeito.

Com a Jornada Mundial da Juventude, as agências de inteligência, em especial a ABIN, resolveram aparecer em rede nacional mostrando todo seu aparato. A ABIN chegou a exibir em telões para a imprensa as principais “ameaças” à visita do Papa Francisco. Claro que sobrou para os movimentos sociais, visto por ela como o maior perigo durante as visita do pontífice.

A intensificação da espionagem da ABIN sobre os movimentos sociais deixou claro que o Governo Federal quer neutralizar as lutas não só com armadilhas como a proposta do plebiscito sobre a reforma política. Também se utiliza de velhos expedientes dos governos autoritários. Os movimentos sociais devem ficar em alerta e exigir o fim da arapongagem do Estado.