ABC: Trabalhadores rejeitam redução salarial e Volks ameaça com demissões

Assembleia do dia 2 que rejeitou proposta da empresa e do sindicato

Diante do contra-ataque da Volks, é preciso organizar a luta

Os metalúrgicos da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) realizaram um verdadeiro ato de resistência, mostraram que não aceitariam nenhum direito a menos e, na última terça-feira, 9, rejeitaram a proposta da empresa e defendida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (filiado à CUT), que continha, entre vários ataques, a não reposição da inflação. Isso, na prática, significa uma redução dos salários.

A empresa e o sindicato justificam a proposta por conta da crise no setor automotivo. Porém, a remessa de lucros da montadora para o exterior só aumenta, assim como todos os incentivos fiscais e empréstimos impagáveis do BNDES. Agora, não pode ser que os trabalhadores paguem pela crise.

Nesta quarta, 10, a fábrica lançou um comunicado onde ameaça de demissão os trabalhadores da planta e dá férias coletivas, deixando-os ainda mais desprotegidos, pois estarão em casa, sozinhos com suas famílias, com medo de receber a qualquer momento uma carta de demissão. “Lamentavelmente houve rejeição da proposta em assembleia realizada no dia 2 de dezembro. Mas continua urgente a necessidade de adequação de efetivo e a otimização de custos para melhorar as condições de competitividade da Anchieta, motivo pelo qual a empresa terá que estabelecer outras medidas”, diz a nota.

O sindicato e a CUT não vão fazer nada?
O sindicato se calou após a decisão da assembleia e não atendeu a várias exigências dos trabalhadores, como lutar para manter a garantia de emprego prometida em 2012, num acordo que tinha vigência até 2016 e que era a contrapartida prometida pela retirada de vários direitos.

Essa apatia do sindicato, que não tem nem a sombra da combatividade que tinha nos anos 1980, está custando caro.  Primeiro, realiza uma grande traição negociando com a Volks o inegociável, a redução salarial, algo proibido até pela Constituição. Depois de rejeitada a proposta pelos trabalhadores, o sindicato os abandonou à própria sorte, não organizando a resistência que seria necessária numa situação onde a fábrica não quer recuar.

E agora, o que o sindicato vai fazer? Sem organizar a luta contra este ataque não há possibilidades de vencer. Essa política de que é possível patrão e trabalhador saírem ganhando chegou ao seu limite. O sindicato não pode deixar os trabalhadores à sua própria sorte. Deve imediatamente eleger na base uma comissão de trabalhadores para organizar a batalha contra os desmandos da empresa, já que a direção do sindicato não tem mais a confiança dos trabalhadores. Os trabalhadores devem continuar se organizando para exigir ação do sindicato, e também se organizando por fora desses dirigentes que parecem não estar nem aí para a situação que se encontram os operários.

Dilma, proíba as demissões! Chega de dinheiro para os patrões!
O governo vem dando diversos incentivos fiscais para as empresas e empréstimos do BNDES, e essa política tem se mostrado incapaz de proteger os empregos dos trabalhadores. Além disso, as demissões no setor não começaram agora e o governo nada fez para proteger os empregos, e sim deu mais dinheiro para quem demite e ataca direitos.

Devemos exigir de Dilma, e do prefeito do PT, Luiz Marinho, que se posicionem contra este ataque aos trabalhadores e ao município de conjunto. Dilma, assim como fez um decreto dando incentivos fiscais para as montadoras, deve agora decretar proibida as demissões no país, assim como o ato inconstitucional de reduzir salário.

Se fosse comprometida com os trabalhadores, medidas não faltariam: redução da jornada de trabalho sem redução de salário, proibição das remessas de lucro para o exterior e estatização sob o controle dos trabalhadores das empresas que recebem dinheiro do governo e demitem. Mas a composição do novo governo mostra que Dilma e o PT se comprometeram com banqueiros, ruralistas e patrões das grandes indústrias ao escolher seus ministérios.

Por isso não basta lutar contra a Volks, precisamos organizar a luta contra todos os ajustes do governo, que na prática significam demissões e retirada de direitos.