Abaixo o projeto de lei do ódio às LGBTIs na ALESP!

João Conceição, da Secretaria LGBTI da Regional Oeste (SP)

Neste dia 28 de abril, os deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) irão votar o Projeto de Lei 504, uma proposta que destila o ódio contra as pessoas LGBTIs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexos), já que pretende proibir a veiculação de propagandas com casais e famílias LGBTIs na televisão e outros meios de comunicação.

Esse projeto de lei asqueroso foi escrito e proposto pela deputada estadual Marta Costa do Partido Social Democrático (PSD) e aprovado pela deputada relatora Janaina Paschoal, do Partido Social Liberal (PSL), com a justificativa grotesca de que censurar as LGBTIs da mídia e nos meios de comunicação seria um meio de proteger crianças e adolescentes da exposição à má influência.

Fundamentalismo e “demonização” das LGBTIs

Marta Costa expressa todo o seu preconceito de fundamentalista. Ela é membro da Assembleia de Deus, ou seja, da mesma instituição do Pastor Olímpio que, recentemente, declarou estar rezando para que o ator Paulo Gustavo falecesse de Covid-19, contra a qual ele está lutando bravamente, há mais de um mês, como noticiamos no artigo Crueldade fundamentalista: pastor reza pela morte do ator Paulo Gustavo.

Assim como o pastor alagoano, Marta Costa associa as pessoas LGBTIs com perversão, promiscuidade e qualquer outra conduta que, na cabeça dela, possam ser classificadas como “práticas danosas” e causar “desconforto emocional” para crianças. Quando sabemos, muitíssimo bem, que “má influência” para as crianças e os jovens são todos os senhores deputados e as senhoras deputadas que criam leis que contribuem para a opressão e exploração de milhões e decidem, todos os dias, a favor de medidas como o retorno às aulas presenciais, dos cortes de verba na educação e da estruturação de uma sociedade que não promete nada para além de desemprego, fome, violência e a piora da vida da juventude.

É o projeto que é ilegal e indecente

Do ponto de vista jurídico e do Direito, o Projeto de Lei 504/20 também é inconstitucional. E, se vier a ser aprovado, seria um atentado à dignidade humana e às garantias de direitos fundamentais. É uma forma de censura e uma tentativa de querer esconder que as pessoas LGBTs existem. De querer nos invisibilizar ainda mais, nos negando o direito humano básico de sermos representados como gente que tem famílias, filhos, netos, sobrinhos.

É desconsiderar que todas as LGBTIs, um dia, também foram crianças e que suas orientações sexuais e identidades de gênero não foram influenciadas pela mídia ou de outra qualquer forma. Ou seja, é uma forma de desumanizar e deslegitimar, principalmente a infância e adolescência de jovens LGBTIs, que muitas vezes são agredidas, expulsas da escola e de casa, marginalizadas e assassinadas, só por serem e expressarem quem são. Vivendo, ainda, em uma situação de completa marginalização e angustiante isolamento aos não “se verem” em lugar algum, inclusive na mídia.

Não deixaremos de “existir”, muito menos de lutar

As LGBTIs não abaixarão a cabeça para o preconceito e a LGBTfobia de quem quer que seja! Mas também não podemos nos entregar ao oportunismo de muitas empresas e marcas que estão querendo lucrar em cima de quem somos e das nossas lutas – o chamado “pink money”.

Não podemos servir como moeda de troca para empresas como Ambev, iFood, Facebook, Coca-Cola e tantas outras que, por hipocrisia e apenas visando seus lucros, reagem contra esse PL, mas no chão da fábrica e nos locais de trabalho tiram o couro das trabalhadoras e trabalhadores, ainda mais quando são LGBTIs (através do assédio, da precarização, dos salários mais baixos etc.).

Barrar uma proposta como a deste PL é uma luta por direitos democráticos básicos que, por isso mesmo, deve ser abraçada por todos e todas, cisgêneros, héteros e LGBTIs. Mas é preciso também encará-la como forma de denúncia deste sistema no qual, com décadas de lutas, mesmo arrancando algumas conquistas (inclusive a de sermos representados na mídia), estamos sempre submetidos aos desmandos de seus representantes que não perdem tempo em se aproveitar de momentos crise, como a que estamos atravessando, para tentar nos arrancar direitos e aprofundar ataques, sociais e econômicos.

Queremos ser livres de toda forma de opressão e exploração! Não voltaremos pro armário, não seremos censuradas! E, derrubando-o iremos nos fortalecer ainda mais para seguir na luta por uma sociedade socialista, onde não só possamos ser representados com liberdade e dignidade, mas também possamos ter, na vida real, condições de vida, trabalho, educação, saúde, moradia etc. que, muitas vezes, só conhecemos, mesmo, através das propagandas.

ABAIXO O PL 504/2020!
#LGBTNÃOÉmáInfluência #AbaixoPL504

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