A síndrome do Vietnã, o 11 de setembro e o Iraque

A Síndrome do Vietnã marca profundamente as mentes da população norte-americana. Na guerra do Vietnã, uma combinação de fatores levou à derrota: a resistência do povo vietnamita e uma guerrilha de massas que infligiu sucessivos golpes às forças do imperialismo, a solidariedade mundial aos vietnamitas e o repúdio nos EUA, a partir de um número de perdas humanas que se tornaram intoleráveis – 58 mil homens mortos e uma incalculável seqüela de inválidos.

Um dos fatores mais importantes na derrota dos EUA foi a quebra da moral das tropas: uma ampla recusa a servir e casos de rebelião aberta. Esta derrota marcou tão profundamente o país, que o imperialismo norte-americano passou a ter um cuidado extremo antes de intervir militarmente.

Essa situação contraditória, em que a principal potência imperialista militar não podia enviar tropas a qualquer lugar devido à experiência da guerra, foi chamada de Síndrome do Vietnã. Desde então, os governos dos EUA tratam de recuperar essa capacidade.

O 11 de Setembro comoveu a população e permitiu a Bush declarar a “guerra contra o terror”. Agora, a discussão aberta em toda a mídia é: “O que se passa no Iraque é a volta do Vietnã?”

A crise se desenvolveu com rapidez impressionante. Aos problemas militares, soma-se o desgaste causado pela crise econômica e perda de empregos. Há um sentimento cada vez maior nas tropas de que estão sendo usadas e enganadas, há reclamações sobre tudo, especialmente sobre as razões da guerra.

No Vietnã, foi tentada a estratégia de vietnamização: passar a responsabilidade a um exército local fiel e treinado pelos imperialistas. Agora, Rumsfeld fala em iraquização: formação e treinamento de cem mil integrantes de forças armadas nativas sob sua direção – para substituir os dos EUA – e em passar mais rapidamente algum tipo de controle a um governo fantoche. Ao mesmo tempo, diz que não sai do Iraque antes de dois anos. É que os EUA não têm como criar um “governo leal” com autoridade rapidamente.

Mas, não será fácil expulsar os EUA do Iraque, pois a “credibilidade” do imperialismo e da doutrina Bush estão em jogo. Será preciso uma resistência cada vez maior e um movimento ainda maior das famílias dos soldados e do povo norte-americano para forçar a retirada. Uma coisa é certa: os EUA têm cada vez mais problemas para manter uma ocupação de longo prazo e uma derrota agora teria conseqüências mais profundas do que a do Vietnã.

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