A saída é o pleno emprego

Como é possível combater a desigualdade mantendo uma política econômica que beneficia os empresários e condena milhões ao desemprego?Os milhões de trabalhadores que recebem o Bolsa Família fazem parte do setor mais necessitado da população. Muitos estão desempregados há anos ou recebem salários tão baixos que não conseguem sustentar suas famílias. Diante dessa situação, entendemos o porquê do apoio da maioria dos trabalhadores ao Bolsa Família. Mas queremos alertar sobre a precariedade desta iniciativa.

Programas sociais compensatórios como o Bolsa Família são ineficazes para combater as raízes da miséria. E até mesmo para diminuir as desigualdades, como diz o governo. Infelizmente, Lula deixa de enfrentar os verdadeiros problemas estruturais da miséria. Como é possível ter êxito no combate à fome sem reforma agrária? Como é possível combater a desigualdade mantendo uma política econômica que beneficia os empresários e condena milhões ao desemprego? Como é possível diminuir as desigualdades se os ricos ficaram ainda mais ricos nos últimos anos?
A verdade é que o governo não combate a desigualdade social porque não mexe nas verdadeiras causas da miséria no país para não desagradar os que se enriquecem justamente graças à injustiça social.

Ao não mudar a política econômica, o governo mantém os baixos salários e o desemprego. Em muitas cidades beneficiadas pelo Bolsa Família, o emprego com carteira assinada se mantém em índices muito pequenos. Segundo um levantamento feito pelo jornal O Globo, em 85 municípios onde o programa atinge em média 71% das famílias, o emprego com carteira assinada só alcança 1,3% da população (O Globo, 25/10/2009).

Os trabalhadores precisam de emprego e salário. Essa é a única solução para acabar com a miséria. O combate efetivo à desigualdade social começa com uma mudança profunda na política econômica atual. É necessário romper com o imperialismo e parar de pagar os juros das dívidas interna e externa aos banqueiros. Essa ruptura permitiria utilizar o dinheiro dado aos banqueiros para enfrentar os problemas sociais urgentes, como desemprego, aumentos salariais e reforma agrária.

De imediato, propomos um plano de obras públicas financiado com o não-pagamento das dívidas interna e externa para a construção de escolas, hospitais e a geração de empregos. Dessa forma, o trabalhador terá emprego e sua dignidade de volta, não necessitando deste tipo de programa.

O avanço tecnológico dos últimos anos não resultou em uma melhoria nas condições de vida dos trabalhadores ou na diminuição do tempo de trabalho. Isso porque qualquer inovação tecnológica sob o capitalismo está direcionada a produzir mais lucros para os patrões. Isso explica porque, apesar da propaganda do governo, o desemprego do país se mantém acima dos 10% – atualmente em 12,6%, segundo o IBGE.

No entanto, é possível utilizar os avanços da tecnologia para diminuir a jornada de trabalho e erradicar o desemprego. Por isso, propomos a redução da carga de trabalho semanal para 36 horas, o que absorveria milhões de trabalhadores que hoje estão desempregados e aqueles que dependem do Bolsa Família para sobreviver.

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