A reestruturação se aprofunda com a crise

Mesmo no período anterior à atual crise, o setor automobilístico já vinha passando por dificuldades e transformações. Após a hegemonia das marcas norte-americanas até os anos 1950, nas últimas décadas as marcas japonesas cresceram, invadindo o mercado dos EUA e se consolidando através da chamada reestruturação produtiva, uma nova forma de produzir que ficou conhecida como toyotismo.

A produção foi se tornando mais verticalizada, com terceirização, precarização e produção flexível. Isso aumentou a concorrência entre as montadoras que, em meio a constantes crises econômicas, travaram uma luta pelo mercado através da redução do custo de produção. Cresceu a tendência de deslocar a produção para regiões de baixo custo (em particular da mão-de-obra) e a busca de novos mercados como China, Leste Europeu e América Latina, particularmente o Brasil. Isso levou ao fechamento de várias fábricas nos EUA e na Europa, a demissões de trabalhadores e a uma redução nos salários e direitos.

As grandes multinacionais, através de suas próprias marcas e de joint ventures (junção com marcas locais ou entre marcas), foram penetrando nos mercados da Ásia, particularmente na China, mas também na Coreia, expandindo suas plantas em regiões com baixo custo. Assim, o mercado chinês saltou para 5,5 milhões de veículos de 1990 a 2005 e sustenta um crescimento acelerado de mais de 10% ao ano.

Ao mesmo tempo, foram se formando e crescendo as empresas asiáticas e principalmente chinesas, com a tecnologia das multinacionais sendo assimiladas por essas montadoras locais. Hoje a China tem 14 montadoras nacionais, além das multinacionais lá instaladas.

No primeiro trimestre de 2008, a produção na China atingiu 2,56 milhões de veículos. As vendas de janeiro a março também superaram pela primeira vez o mercado dos EUA. Essa reestruturação que está se aprofundando na crise significa um forte ataque aos salários e direitos dos trabalhadores. Os salários mais baixos que prevalecem nas novas plantas na Ásia, no Brasil e no México pressionam o rebaixamento dos salários nas plantas mais antigas e a diminuição geral dos direitos dos trabalhadores.

Post author Luiz Carlos Prates “Mancha”, da Direção Nacional do PSTU
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