A prisão do Cobra: Bendine, uma víbora no comando de empresas públicas

Aldemir Bendine (Foto: Valter Campanato / Agência Brasil)

Aldemir Bendine foi preso no interior de São Paulo nesta quinta-feira, 27, pela Polícia Federal, na 42ª fase da operação Lava Jato, que recebeu o nome de “Cobra”, apelido dado a Bendine pelo setor de propinas da Odebrecht. O executivo, que presidiu o Banco do Brasil de 2009 a 2015, e a Petrobras de 2015 a 2016, teria recebido R$ 3 milhões em propina para não prejudicar os contratos da empreiteira com a estatal.

O nome de Bendine já havia sido citado na Lava Jato por Joesley Batista, da JBS. Na delação do dono da Friboi, consta que um dos favores que o senador Aécio Neves lhe fizera foi indicar o nome de Aldemir Bendine para assumir o comando da Vale, o que não se concretizou. Já no depoimento de Marcelo Odebrecht, consta ainda que o então presidente do Banco do Brasil teria solicitado R$ 17 milhões para influenciar em contrato de crédito – valor que não foi pago por não confiarem que Bendine teria realmente a capacidade de manipular o contrato.

Uma extensa ficha corrida
Em 2010, o então presidente do Banco do Brasil, nomeado por Lula em 2009, já havia sido notícia. O jornal Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre um apartamento que Bendine adquiriu pelo valor declarado de R$ 150 mil pagos em dinheiro vivo. Outros imóveis no mesmo edifício estavam sendo comercializados acima do dobro desse valor.

Já em 2014, ao pagar uma multa de R$ 122 mil à Receita Federal para se livrar de questionamentos feitos sobre sua evolução patrimonial, Bendine não teria comprovado a origem de R$ 280 mil. Segundo o próprio, esse dinheiro estava guardado em sua residência, por questões familiares. Essa não foi a primeira multa de grande valor paga pelo executivo. No ano anterior, ele pagou R$ 200 mil para encerrar a ação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra ele por ter violado o período de silêncio sobre o IPO (abertura de capital) da BB Seguridade.

Ainda enquanto presidente do BB, Bendine esteve envolvido em escândalo por ter interferido para que o banco emprestasse, utilizando recursos do BNDES, R$ 2,79 milhões à socialite Val Marchiori numa operação irregular, já que a empresária possuía dividas com a instituição. O crédito era para financiar um Porsche de uso pessoal. Bendine também teria usado uma viagem corporativa para dar carona a Marchiori.

A marca da gestão Bendine
Não foi apenas com operações de crédito no Banco do Brasil que Bendine favoreceu os empresários. O executivo nomeado para o BB por Lula e para a Petrobras por Dilma, além de ser o nome de Aécio e Joesley para a Vale, cumpriu o papel de entregar o patrimônio público ao mercado. A marca da gestão Bendine foi o desinvestimento, as reestruturações e a entrega das empresas ao mercado.

O Banco do Brasil e a Petrobras não são apenas duas empresas, mas dois conglomerados. Cada um composto por diferentes segmentos. Para o empresariado, o grande mérito de Bendine no comando do BB foi avançar na consolidação da empresa como um banco de mercado e abrir o capital da BB Seguridade, empresa que concentra a área de seguros do banco – sendo o setor de seguros a área mais rentável do mercado bancário atualmente. Já na Petrobras, a missão de Bendine era explícita: comandar a abertura de capital da BR Distribuidora e avançar o processo de desinvestimento da empresa, que já sofria os impactos dos escândalos de corrupção.

Por fim à corrupção
A mídia burguesa, a soldo dos grandes empresários, vende a ideia de que a única solução para por fim a corrupção é a privatização. E não há nada mais enganoso. A privatização é justamente a finalidade da corrupção. O que os Bendines fazem é colocar o patrimônio público a serviço dos grandes empresários.

Não podemos cair no conto de que os empresários são prejudicados pela ação maligna de servidores e políticos corruptos. Setores poderosos da burguesia nacional são favorecidos em todos os esquemas de corrupção. Basta olhar para a JBS, que advogava em favor de Bendine para assumir a presidência da Vale.

Nossa luta deve ser em defesa da estatização das grandes empresas para que deixem de visar o lucro individual e se transformem para o bem coletivo, que estejam sob controle operário, dirigidas pelos seus trabalhadores, e não por capachos de interesses alheios.

Corruptos e corruptores devem ser presos. Mas não apenas isso. É necessário o confisco dos seus bens. Aldemir Bendine escapou de ações anteriores pagando multas que permitiram a ele sair lucrando, assim como os delatores Marcelo Odebrecht e Joesley Batista. Não podemos aceitar isso.

Prisão para todos os corruptos e corruptores e o confisco de seus bens!
Estatização das empreiteiras envolvidas em corrupção!
Estatização como indenização ao povo brasileiro!
Controle operário nas empresas públicas com eleições diretas para gestores!
Petrobras 100% estatal e pública!
Estatização do Sistema Financeiro!

Por Rodrigo Silva (bancário do BB) e Eduardo Henrique Soares (petroleiro), do Rio de Janeiro (RJ)

FONTES:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/08/1507019-chefe-do-bb-pagou-multa-para-se-livrar-de-investigacao.shtml

http://exame.abril.com.br/brasil/presidente-do-banco-do-brasil-faz-acordo-com-a-cvm/

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1609201002.htm

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/02/executivo-diz-que-bendine-levou-val-marchiori-em-missao-do-banco-do-brasil-4705558.html#showNoticia=IWFsKCUsLmE1NTc1NzEzODQ2MTMzMjYwMjg4KVV5NTc1OTAyNTUyNDI2ODA0NDIzODBSdzg5MjE1NzExNjAxNjQ5MjU0NDBMa0s5aTkmdm9SWnlbJjcsVWw

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/05/1625242-bb-financiou-porsche-para-socialite-amiga-de-bendine.shtml

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/05/joesley-pede-para-nomear-presidente-da-vale-em-troca-de-dinheiro-aecio.html

http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/pf-deflagra-a-42o-fase-da-operacao-lava-jato/