A pergunta permanece: Quem mandou matar Marielle e Anderson?

Prisão tardia dos apontados pela execução de Marielle e Anderson não soluciona o crime

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na manhã desta terça-feira, 12, dois acusados pela brutal execução da vereadora do PSOL-RJ, Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Os acusados pelo crime fizeram parte da Polícia Militar; Élcio Vieira de Queiroz foi expulso da corporação, enquanto que Ronnie Lessa é PM reformado.

Lessa inclusive foi preso numa mansão cujo valor pode chegar a R$ 4 milhões localizada no mesmo condomínio de luxo em que o presidente Jair Bolsonaro e seu filho, Carlos Bolsonaro, residem no Rio. O delegado responsável pelas investigações afirmou que uma filha de Ronnie Lessa havia sido namorada de um dos filhos de Jair Bolsonaro. Outro ex-PM preso, Élvio Vieira, tem uma foto abraçado com Bolsonaro numa rede social, postada em agosto do ano passado.

Investigação e punição dos mandantes
As prisões ocorrem a dois dias de completar um ano das execuções, e ainda não se sabe quem são os mandantes e os motivos do crime. Apesar das sucessivas declarações das autoridades, é inadmissível que tenha se demorado tanto para prender os executores, e que os mandantes ainda não tenham sido revelados. Tamanha demora só confirma o que foi declarado pelo próprio ministro da Justiça na época dos assassinatos, Raul Jugmann, de que “políticos poderosos” estariam por trás do crime.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou que colocará a Polícia Federal para impedir qualquer “obstrução” das investigações. Difícil, porém, acreditar na palavra do ex-juiz considerado paladino da Justiça, mas que aceitou integrar um governo repleto de corruptos e defensores históricos de milicianos. A mesma coisa se pode dizer do atual governador do Rio, Wilson Witzel (PSC) que, em campanha, participou do ato em que deputados eleitos pelo PSL quebraram a placa com o nome de Marielle.

É preciso exigir a investigação e prisão dos mandantes dessa execução. Só se chegou até aqui, apesar de tanto atraso, devido à mobilização e pressão realizado pelos trabalhadores e movimentos sociais. Vamos, nas nossas lutas e mobilizações, como na luta contra a reforma da Previdência, exigir a resposta à pergunta que não quer calar: “Quem mandou matar Marielle”?