Foto: Roosevelt Cássio/Sindmetal/SJC

Weller Gonçalves, Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

No começo desta semana, a sul-coreana LG Eletronics anunciou uma decisão em caráter mundial, mas que afeta diretamente o Brasil. A companhia vai encerrar a sua divisão de produção de telefones celulares, alegando que o segmento não é mais competitivo.

A fria resolução, tomada nas luxuosas acomodações dos altos executivos que dirigem a empresa, será responsável pela eliminação de milhares de postos de trabalho em todo o mundo, embora a LG prefira, de forma dissimulada, não revelar o número de empregos eliminados.

Embora o Brasil tenha garantido para a companhia asiática a terceira posição em venda de smartphones nos últimos anos, a decisão da matriz é impediedosa e trará efeitos dolorosos ao nosso país. Isso é parte de um processo de reestruturação produtiva conduzido por seus executivos para garantir mais lucros e que, infelizmente, aprofunda o agudo processo de desindustrialização que vive o país e deveria ser combativo pelo governo.

Na fábrica da LG em Taubaté 700 postos de trabalho serão destruídos. Além de smartphones, deixarão de ser produzidos notebooks e monitores. Já as montadoras Sun Tech, em São José dos Campos, Blue Tech e 3C, em Caçapava, que fabricam os mesmos celulares para a LG, contabilizarão mais 430 cortes. As trabalhadoras destas empresas, que pertencem à base do nosso Sindicato, estão em greve desde terça-feira, dia 6 de abril, para defender os seus empregos.

É inadmissível que a LG e suas parceiras, depois de anos explorando avidamente a mão de obra brasileira, anunciem, de uma hora para a outra, o encerramento de suas atividades e deixem ao deus-dará milhares de mães e pais de família, que perderão o seu ganha-pão neste momento absolutamente crítico, em que a pandemia do coronavírus devasta o país.

É preciso ressaltar que Sun Tech, Blue Tech e 3C operam majoritariamente com mulheres, que, na atual conjuntura, encontrariam sérias dificuldades para se recolocarem no mercado de trabalho. É, portanto, um caso emergencial e que exige medidas vigorosas.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté deveria conduzir os trabalhadores da LG para a luta e, desta forma, somar forças com as trabalhadoras das montadoras estabelecidas em nossa base, para pressionarmos a companhia sul-coreana a reverter as demissões.

Caso a LG insista no fechamento, a mudança de postura do Sindicato de Taubaté fortaleceria a pressão junto ao governo federal para que a empresa seja estatizada, sob o controle dos trabalhadores. Consideramos essa medida plenamente executável, uma vez que possuímos a tecnologia, maquinário e o capital humano com capacitação técnica necessários para desenvolvermos celulares com marca nacional.

Em nossa avaliação, o governo deveria estatizar quaisquer empresas que resolvessem fechar ou demitir em massa, para, assim, garantir os empregos do povo brasileiro. É preciso agir determinadamente para que a ganância não prevaleça diante da vida. É disso que se trata.

Weller Gonçalves é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas