A luta contra a militarização da América Latina

imperialismo sustenta sua dominação econômica e política apoiado em uma militarização crescente. É preciso que, além da invasão militar dos EUA no Iraque, se conheça a militarização da América Latina. No Iraque, eles querem garantir o petróleo. Aqui, querem impor a continuidade dos planos neoliberais, a Alca
e o controle de nossos recursos naturais. Mas o imperialismo pode ser derrotado…

O Departamento de Defesa norte-americano contabiliza 725 bases militares em 38 países e bases secretas em 93. Totalizando assim cerca de 500 mil soldados em 132 nações. Sua presença militar se amplia por toda a América Latina, para assegurar seus objetivos de transformar sua tradicional área de influência em áreas de livre comércio, com acordos como a Alca e os chamados TLCs (Tratados de Livre Comércio). O imperialismo quer também avançar para o controle de novos recursos naturais, como a água, o petróleo e a biodiversidade.

Esse plano, entretanto, enfrenta-se com rebeliões cada vez mais freqüentes, como as que ocorreram na Bolívia e Equador. Para aplacar essa resistência, o imperialismo implanta essas bases preventivamente.

ARMAR PARA DOMINAR

Para tentar garantir sua ofensiva recolonizadora da região, o imperialismo norte-americano está distribuindo armas, soldados e bases pela América Latina e gastando bilhões de dólares para mantê-los. Seu poder militar é um dos principais instrumentos de recolonização. Os EUA já têm 20 guarnições na América do Sul.

Como conseqüência inevitável desse processo, a violação dos direitos humanos e a repressão aos movimentos sociais vêm aumentando em escala monumental. Para isso, se desenvolvem planos como o “Colômbia”, “Dignidade”, “Patriota” e o “Puebla-Panamᔠ(ver box).

Cerco em todo o continente
Na América Central, a proposta é reformar profundamente os exércitos, para criar um exército regional sob o comando da ONU, que operaria em função dos interesses norte-americanos. Isso levaria a uma “racionalização” das forças da região.
No Caribe, o cerco militar envolve as bases de Guantanamo (Cuba), Vieques (Porto Rico) e Soto Cano (Honduras).

No norte da América do Sul o plano está apoiado em três bases: Manta (Equador), Rainha Beatrix (Aruba) e Hato (Curazao). A Base aérea de Manta serve como centro de operações e é a melhor base da América do Sul. Controla a região amazônica, o Canal de Panamá e a América Central.

No Peru, são treinados especialistas em combates fluviais, na base de Riverine, em Iquitos. No Panamá, o governo aceitou a presença de 3 mil soldados norte-americanos sob a pífia alegação de “limpar o terreno minado das bases”. Em Aruba e Curazao estão infantes da marinha e soldados das Forças Especiais do Canal. Homens do Departamento de Estado dos EUA atuarão em Porto Rico em contato com outras bases do Departamento que já existem na Colômbia e na Amazônia peruana.

Na Colômbia, a partir do Plano Colômbia e Plano Patriota, os contingentes norte-americanos se concentram na base de Tolemaida (Tolima) e na sede do Comando Especial do Oriente. Também foi instalado na Base Militar de Larandia, em Três Esquinas (Caquetá), um centro sofisticado de operações que recebe informações de satélites dos EUA.

Radares continentais
Os EUA pretendem instalar na América Latina 17 guarnições terrestres de radar: três no Peru (Iquitos, Inapari e Puerto Esperanza), quatro na Colômbia (Três Esquinas, Leticia, San Jose del Guaviare e Marandua) e o resto móvel (duas secretas no Suriname e na Guiana Francesa, e duas em Riohacha e na ilha San Andres).
Trabalhariam em conjunto com pistas de pouso no Paraguai (Chacao), Bolívia (Cobija) e Honduras (Soto de Cano).

Esse sistema seria coordenado pelo Plano Nacional de Radarização, estabelecido na Argentina e coordenado em conjunto com o Pentágono e o Projeto Sivam desenvolvido no Brasil.

O Sivam é um conjunto de radares e sensores com capacidade para monitorar 5,5 milhões de km² na Amazônia. Esse projeto teve início no governo FHC, custou US$ 1,4 bilhão aos cofres brasileiros e sua execução foi entregue à Raytheon, uma das principais empresas bélicas dos EUA, depois de uma licitação fortemente contestada.

Tropas para o Cone Sul
Um dos passos mais importantes para o avanço da militarização no Cone Sul dado pelo imperialismo norte-americano foi aprovação pelo Senado do Paraguai da concessão de imunidade às tropas dos EUA em seu país. Com isso, os EUA pretendem instalar uma base militar na região do Chaco, norte do Paraguai, com o objetivo de garantir a “segurança” das reservas de gás natural da Bolívia.

Os EUA já contam com a pista de aterrissagem de Mariscal Estigarribia, localizada a 250 Km da fronteira boliviana. A pista tem 3.800 metros de comprimento e é capaz de receber até aviões de bombardeio como o B-52. A base terá infra-estrutura para abrigar até 16 mil militares com todo o armamento necessário.

A Argentina, do supostamente antiimperialista Kirchner, também está envolvida nesse processo. Em 2001, foi realizada a Operação Cabana, na cidade de Córdoba, com 1.200 soldados argentinos, equatorianos, uruguaios, bolivianos, chilenos, paraguaios e peruanos e 300 norte-americanos, da Special Forces. Protestos sociais impediram nova movimentação em Las Misiones, na Tríplice fronteira, em 2002.

Em Tierra del Fuego, foi cedido um local para a instalação de uma base norte-americana que realizará “estudos nucleares com fins pacíficos”.

A Agência Central de Inteligência (CIA) e o Mossad (serviço Secreto de Israel) já tem presença em Ciudad del Este (Paraguai) e no restante da Tríplice Fronteira alegando a presença de terroristas árabes, sem nenhuma comprovação.

Post author Américo Gomes, membro da Coordenação do CEPEPO (Centro de Estudos e Pesquisas de Políticas Estratégi
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