A lição da greve dos Correios

Direção governista é sinônimo de traição

`PiqueteOs trabalhadores dos Correios realizaram a maior greve da categoria desde 1985. Com um piso de 395 reais e uma perda salarial de 53%, fomos a luta por um reajuste salarial de 69% e aumento real de 10%.

A maioria da direção do movimento, Articulação do PT e Corrente Sindical Classista (PC do B) desde junho, quando do congresso da categoria, tentaram evitar uma pauta abrangente e uma data indicativa de greve, para não se confrontar com o governo. Vale lembrar que há cerca de 60 ex-dirigentes sindicais da categoria em cargos de confiança na empresa.

Depois de mais de um mês enrolando a empresa propôs 4% de reajuste. Contra esta proposta a categoria foi à greve. Com 80% de paralisação e muita disposição de luta, os trabalhadores paravam setores inteiros, sem a presença de dirigentes sindicais.

Em vários estados à greve saiu contra a as direções dos sindicatos, chegando a 24 estados. Os piquetes foram assumidos pela base, que faziam as faixas de seu próprio punho para levarem às assembléias.

O ministro das Comunicações propôs novo reajuste: 6%. A maioria do Comando Nacional indicou aos sindicatos o recuo da greve no dia 11, mas nenhum sindicato acatou a orientação.

Dia 15, numa manobra digna dos pelegos da época da ditadura, os dirigentes do sindicato de São Paulo do PT e do PC do B, com auxilio de seguranças, tomaram o controle do caminhão de som e dirigiram à força a assembléia.
Propuseram o fim da greve. Sua proposta foi rejeitada pela maioria da assembléia. Mas eles anunciaram que havia sido aprovado o fim da greve. Aí se instalou uma grande confusão, com grande revolta dos trabalhadores que tentavam virar o caminhão de som. Escorraçados pelos mais de dois mil ecetistas revoltados, os pelegos tiveram que sair escoltados pela PM. Com muita dificuldade, a minoria da diretoria – do MTS e do PSTU – retomou a assembléia, refazendo a votação e garantindo a vontade da categoria de seguir em greve.

Mas, logo depois da assembléia, os pelegos, deram uma entrevista coletiva, dizendo que a greve havia terminado. A direção da empresa e o Comando Nacional, também anunciaram pela imprensa em todo país que São Paulo havia suspendido a greve.
Os diretores do MTS e do PSTU, cumprindo a decisão da assembléia organizaram os piquetes e mantiveram a greve. Apesar da tremenda confusão e desorganização na base, bombardeada pelo anuncio do fim da greve.

No dia 16 foi realizada nova assembléia, que, com a participação de 800 trabalhadores. Após o comando de base avaliar que o movimento havia se desorganizado e estava muito dividido na base, pelas traições da maioria da diretoria, foi decidido suspender a greve.

Mas também foi decidido: rejeitar a proposta da empresa; nova assembléia dia 1/10. Além de chamar um Encontro Nacional com delegados eleitos em assembléias de base para retomar o movimento nacional.

Para que a categoria retome o sindicato que está controlado pela empresa e pelo governo, a assembléia votou a convocação imediata de novas eleições para a diretoria e a destituição da pelegada.

Na base, o clima é de revolta com a maioria da direção do sindicato que é um braço da empresa e do governo que a controla. A base quer lutar, mas aprendeu que com essa direção não dá.

Neste momento, os pelegos cercaram o sindicato de jagunços.

Post author Ezequiel Filho,
militante do PSTU e funcionário dos Correios de São Paulo
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