8 de março contra a crise e o desemprego

Movimento Mulheres em Luta da Conlutas sai às ruas em todo o país para defender o empregoEm 2009, o 8 de março teve um motivo a mais para manifestações: a crise econômica mundial. O Movimento Mulheres em Luta da Conlutas, criado em abril do ano passado, promoveu ou participou de atos em todo o país levantando a bandeira contra a opressão e contra o desemprego.

Em São Paulo (SP), 700 pessoas foram à Fiesp, na Avenida Paulista, no domingo pela manhã. Convocado pelo Movimento Mulheres em Luta da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), o ato foi vitorioso, levando-se em conta que foi alternativa ao ato governista da Marcha Mundial de Mulheres. Rosangela Calvazara, operária da Embraer, defendeu a unidade da classe trabalhadora, homens e mulheres, para lutar contra as 4.200 demissões da empresa. A Conlutas exigiu do governo Lula a criação de uma Medida Provisória que garanta a estabilidade no emprego.

Outro tema que teve bastante destaque foi o caso da menina pernambucana estuprada e grávida de gêmeos, condenada pela igreja por ter interrompido a gravidez. Todos os presentes repudiaram a postura da igreja e vaiaram o arcebispo de Olinda e Recife. Janaína Rodrigues, da Conlutas também defendeu o fim da dupla jornada para a mulher, creches nos locais de trabalho e igualdade salarial.

No Rio de Janeiro (RJ), o Movimento Mulheres em Luta participou do ato unificado no dia 6, sexta-feira. A manifestação reuniu 400 pessoas. Elas caminharam da Candelária até a Cinelândia. O eixo do protesto foi “Mulheres contra a violência e a crise econômica”.

Vera Nepomunceno, falando pelo PSTU, propôs a votação de uma moção em apoio aos trabalhadores da Embraer. Diversas organizações políticas e do movimento feminista participaram, mostrando que a unidade é possível e possibilita, neste momento de crise, a luta pela destruição deste sistema exploratório e opressor.

Em Fortaleza (CE), onde a prefeitura tem a frente uma mulher, Luiziane Lins (PT), um ato reuniu cerca de 1.200. Elas cantaram: “Luizianne, não abro mão / queremos creche, saúde e educação” e “por essa crise não pago não / eu sou mulher e não aceito demissão”. Estavam representadas mais de 50 entidades e organizações. Além do Movimento Mulheres em Luta da Conlutas (que faz oposição a atual prefeita), participaram a Articulação de Mulheres Brasileiras, o Fórum Cearense de Mulheres e o MST.

As operárias da confecção feminina e trabalhadores da construção civil, ambas categorias em campanha salarial e de sindicatos filiados à Conlutas, marcaram presença. O PSTU também esteve no ato com panfletos e faixas contra a opressão, contra a crise, em defesa das palestinas etc. O Movimento Mulheres em Luta denunciou a política do governo Lula: “ô Lula, que papelão / tem dinheiro pra banqueiro e pra mulher só demissão”.

Em Porto Alegre (RS), no dia 5, sindicatos, grêmios estudantis e a Secretaria de Mulheres do PSTU promoveram a palestra Os impactos da crise na vida das mulheres, no auditório da Faculdade de Educação da UFRGS, com a presença de mais de 200 pessoas. No dia 8, a Conlutas realizou uma caminhada no Parque da Redenção, distribuindo panfletos e cantando palavras-de-ordem contra a opressão, o desemprego, a violência contra mulher e pela legalização do aborto. A atitude da igreja e do arcebisbo pernanbucano, que defendeu o estupro como crime menor que o aborto, foi repudiada. Na caminhada, uma comissão de frente carregava as letras do Movimento de Mulheres em Luta – Conlutas.

Em Curitiba (PR), cerca de 300 pessoas foram à Praça Santos de Andrade na manhã de sábado, 7. A manifestação foi fruto da unidade entre Conlutas, Consulta Popular, PSTU, PSOL, entre outras organizações. O ato teve um caráter classista, denunciando a situação da mulher trabalhadora na crise.

A Secretaria de Mulheres do PSTU de Manaus (AM) promoveu, na tarde de sábado, um debate sobre o Dia Internacional das Mulheres. A exposição foi feita por Camila Vasconcelos e Paulo Victor Penafort, militantes do partido. Eles mostraram como as mulheres trabalhadoras sofrem um alto grau de exploração. O debate contou com a presença de 50 pessoas, entre militantes e convidados dos movimentos populares, metalúrgicos, estudantes, professores e funcionários públicos. No final, houve uma confraternização.

Em Belém (PA), ativistas da Conlutas e de outras entidades do movimento sindical e popular, mulheres vítimas da violência e dezenas de pessoas participaram de um ato cultural. As denúncias de pedofilia envolvendo gente poderosa, como o deputado estadual Luis Afonso Sefer (DEM) e o irmão da governadora Ana Júlia Carepa, João Carlos Carepa, chocaram a cidade e foram lembradas no ato. Após apresentações musicais, a manifestação terminou com um panelaço pela praça da República ganhando a simpatia de centenas de pessoas que estavam no local. O Sindicato da Construção Civil de Belém também promoveu um debate e a apresentação da peça de teatro Cotidiano de uma mulher oprimida, que trata da violência contra a mulher.

*Com Luciana Candido (SP), Fernanda Castro (RJ), Anna Karina (CE), Myrela Leitão (RS), Vanessa Bressoni (PR), Jussi Massulo (AM), Wellingta Macedo (PA)

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