Em defesa da democracia operária na construção civil do Ceará

PSTU-Ceará

Tem-se tornado comum por parte da diretoria do Sindicato dos Operários da Construção Civil de Fortaleza (Resistência/PSOL e PCB) o ataque à democracia operária nos fóruns da entidade.

A nova diretoria assumiu a direção do sindicato após uma eleição que dividiu em três chapas a antiga direção da entidade. A chapa vencedora na eleição teve apenas pouco mais que 30% dos votos, ainda assim age desrespeitando a pluralidade de opiniões na categoria e se utilizando do aparato para tentar calar a oposição.

Por várias vezes, os dirigentes históricos da categoria, que estavam há anos à frente do sindicato, foram impedidos de falar nos fóruns. O principal caso ocorreu quando os membros do PCB e da Resistência/PSOL, que estão hoje à frente do sindicato, suspenderam a greve do ano passado sem nenhum acordo fechado, mentindo para os operários dizendo que haviam fechado um acordo com os patrões e que não seria mexido na convenção coletiva (quando, na verdade, a proposta que o sindicato estava apresentando na mesa flexibilizava a jornada de trabalho com a liberação da jornada aos sábados). Ainda impediram, à força, que a oposição falasse na base, para não deixar que denunciássemos o que estavam fazendo. Outras situações semelhantes aconteceram. Em todos os casos, o nosso direito de manifestação foi garantido pelos próprios trabalhadores que exigiam a nossa fala nas assembleias.

Na assembleia que ocorreu na última quinta-feira (25 de março), novamente, a direção do sindicato não permitiu que oposição se manifestasse. Apesar de ter aberto falas para vários militantes do PSOL e PCB, não permitiram que os trabalhadores da base falassem antes da votação das propostas e, quando viram que a oposição estava gravando um vídeo de denúncia do que havia acontecido, apagaram as luzes do sindicato, mesmo com muitos trabalhadores de base ainda dentro.

Esse sindicato, que teve os militantes do PSTU à frente durante quase 30 anos, sempre foi exemplo de democracia operária, mesmo quando ficávamos em minoria, porque acreditamos que são os trabalhadores que devem decidir os destinos das suas lutas. A prática sempre adotada pelo estalinismo e comum no Brasil nos sindicatos dirigidos pela Articulação e pela Força Sindical nunca fez parte da tradição dessa categoria.

Nós repudiamos as práticas autoritárias e antidemocráticas da direção do PSOL/Resistência e do PCB no sindicato e continuaremos junto com os trabalhadores e exigindo, junto com eles, que se aplique a democracia operária no sindicato.