3º Encontro Internacional reforça necessidade de unidade e enfrentamento internacionalista

O 3º Encontro Internacional da RSISL (Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas) teve início na quinta-feira (25), com mesa de abertura e balanço do trabalho realizado pela Rede desde a sua criação. A atividade de quatro dias dedicou momentos para as categorias discutirem suas lutas nos setoriais, além de um dia inteiro para abordar as questões das lutas das mulheres.

Na mesa de apresentação, estavam presentes Nara Cladera, pela União Sindical Solidaires, da França, Àngel Bosqued, pela CGT, da Espanha, e Herbert Claros, representando a CSP-Conlutas.

Àngel expôs a dinâmica do Encontro e pontuou o modo como a Rede busca funcionar desde a sua fundação, em 2013, destacando a importância da pluralidade da organização. “Priorizamos a autogestão, pois acreditamos que nem os governos, estados ou religiões devem interferir em nossas decisões. É dentro da própria Rede que decidimos. Para esse Encontro, recebemos por email muitas moções e pedido de apoio a diversas lutas. Isso é muito bom, pois significa que quando chamamos, alguém responde”, relatou.

Nara Cladera expôs os desafios e também a importância de organizar a luta sindical internacional respeitando a diversidade e as divergências, e valorizando os pontos em comum para as mobilizações contra o capitalismo. “Somos organizações sindicais que nos reconhecemos no sindicalismo de luta e de transformação social. Somos bem conscientes de que nossas organizações têm histórias diferentes, são de países e culturas diferentes. Ainda assim, mesmo com as diferenças, temos em consideração que precisamos buscar o consenso e trabalharmos juntas e juntos no que tivermos acordo”.

Herbert Claros reforçou o relato de como a Rede tem sido construída ao longo dos anos, e destacou a importância do internacionalismo na luta da classe trabalhadora. “Por mais que tenhamos diferenças, sabemos que nossa luta em comum é contra os governos, pois eles estão a serviço dos patrões e do capitalismo. Por mais que possa parecer que tenhamos lutas isoladas, seja a de um trabalhador de um aeroporto ou de um restaurante, de um professor ou de militantes de um movimento popular, toda a luta da classe trabalhadora é uma luta contra o sistema. Como os ataques do capitalismo atingem em nível internacional, é uma necessidade que nos organizemos defendendo o internacionalismo em nossas ações”, interveio.

Após as exposições dos representantes da coordenação do Encontro, delegações participantes da atividade tiveram a oportunidade de se apresentar e de compartilhar relatos sobre os processos de lutas em seus países.

Confira o vídeo com a apresentação do Encontro e das delegações logo abaixo:

Segundo dia
Na manhã de sexta-feira (26), grupos temáticos se dividiram para discutir repressão, imigração, autogestão e colonialismo-racismo. Ainda hoje, o encontro apresentou debate de conjuntura internacional e segue com esta mesa até que se iniciem os grupos por categorias. A CSP-Conlutas contribui com trabalhadores dos Correios, Transportes, Educação, do Funcionalismo Público e da Saúde. Ao todo, a delegação brasileira conta com 36 pessoas, sendo 7 representações da Secretaria Executiva Nacional da Central e 29 de outras 14 organizações. São 11 mulheres e 25 homens.

Terceiro dia
O sábado (27) foi inteiramente dedicado aos temas de lutas das mulheres. Foram mesas que trataram de “Cuidados e Economia Feminista”, “Aborto”, “Machismo no Movimento Sindical”, “Por que a Luta contra o Machismo é uma Luta da Classe Trabalhadora?”, “Precariedade no Mundo do Trabalho: diferenças nos salários”, “Contratos e Jornadas de Trabalho”, “Violência de Gênero e Violência Machista”, e “Discriminações contra LGBTs”.

Marcela Azevedo, representando o Movimento Mulheres em Luta, conta que o dia possibilitou “muita troca de experiência para pensar a organização de lutas internacionalistas das mulheres”. Segundo ela, o debate, realizado de modo muito democrático, mostrou que mesmo com realidades e culturas diferentes, há inúmeras semelhanças nos ataques e no grau de desigualdade de gênero nos diversos países. “A realidade da crise econômica na Europa, América Latina e África trazem um alto grau ofensivo para as trabalhadoras e trabalhadores. É preciso que apresentemos um alto grau de organização e unidade das mulheres com o conjunto dessa classe para resistirmos a tudo isso”, pontuou Marcela.

Mulher, exemplo de luta
O 8 de março de 2017 foi colocado como uma importante referência para seguirmos nos próximos dias de luta por igualdade social. “Foi ressaltado que o 8M de 2017, realizado com forte participação em mais de 50 países, com importantes protestos e greves, aponta o caminho para ações futuras e para o avanço da mobilização das mulheres nas paralisações, em atos, bloqueios de estradas e qualquer outra manifestação de classe e de resistência”, relatou.

Fechamento
No domingo (28), dia de plenária final, foram lidas as moções de solidariedade de diversas categorias e lutas dos países, além da relatoria dos setoriais das categorias participantes como ferroviários,trabalhadores em educação, da indústria automobilística, saúde, de telemarketing, comerciários e de serviços, dos Correios e telecomunicação e outros. Por fim, foi apresentada uma proposta de declaração final, aberta para pedidos de alterações e adendos. As edições foram feitas e, com a aprovação, o Encontro teve fim.

A Declaração Final final do Encontro pode ser lido no link: Confira a Declaração Final do 3º Encontro da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas