Exército intervém em greve da CSN, em 1988

A direção eleita para comandar o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense irá realizar um ato em memória aos 34 anos da greve histórica na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), realizada em 1988. A atividade que irá ocorrer na quarta-feira (9), em Volta Redonda (RJ).

Com o apoio da CSP-Conlutas e da CTB, o ato será realizado em um local histórico para o movimento de trabalhadores no Brasil. A partir das 14h, a Praça Juarez Antunes, em frente à fábrica, sediará intervenções políticas e culturais (cinema, poesia, música e roda de capoeira), além de um ato ecumênico em homenagem aos grevistas assassinados pelo Exército Brasileiro: Willian, Valmir e Barroso.

Na divulgação do ato os organizadores reforçam que a programação política e cultural tem o objetivo de lembrar a importância da valorização da luta travada por milhares de trabalhadores por melhores condições de vida, direitos e salário digno.

Após 34 anos, um novo levante

A mobilização dessa quarta-feira é idealizada pelos integrantes da Chapa 2: a Hora da Mudança que, em agosto, recebeu 67% dos votos na eleição para a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense. Apesar da vitória histórica, uma medida na Justiça, encaminhada pela chapa derrotada, segue impedindo que os companheiros e companheiras tomem posse.

A vitória obtida nas urnas e o histórico processo de luta travado neste ano pela Comissão dos Trabalhadores da CSN durante a campanha salarial também serão lembrados. O grupo de operários da Comissão foi responsável pelo maior processo de mobilização visto na CSN, desde a greve de 1988.

O levante que começou no dia 4 de abril derrotou três manobras de proposta rebaixada de acordo coletivo, passando por cima do peleguismo do sindicato e do jogo sujo da direção da empresa. Apesar dos ataques da CSN, como as demissões, a luta seguiu e arrancou conquistas econômicas.

A energia acumulada na luta foi revertida para uma vitória esmagadora nas eleições do Sindicato. A Chapa 2 continua a luta na Justiça para fazer valer a vontade dos trabalhadores.

34 anos também da Constituição de 88

Esse ano, além das homenagens aos mártires da Greve de 1988, o ato irá homenagear também os 34 anos da chamada Constituição Cidadã, promulgada em 1988.

“As lutas de nossa classe naquele período consolidariam-se, também, em diversas conquistas trabalhistas, sociais e políticas que superaram o autoritarismo dos ‘Anos de Chumbo‘, explica Atnágoras Lopes, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

Guardadas as contradições e limites desta carta é importante que registremos esse feito histórico que permitiu avanços legais e conferiu inúmeras conquistas no terreno dos direitos e das liberdades democráticas ao nosso povo e, em especial, a classe trabalhadora brasileira. É preciso seguir lutando por mais direitos e liberdade. Ditadura, nunca mais”, conclui.

Greve de 1988

Em novembro de 1988, cerca de 10 mil trabalhadores da CSN cruzaram os braços, com uma extensa pauta de reivindicações, incluindo reajuste salarial, redução da jornada (turno de 6h) e recontratação de militantes que haviam sido demitidos. Foram 17 dias de paralisação, com ocupação da usina.

Como herança deixada pelo governo militar, encerrado em 1985, tropas do Exército tomaram a cidade de Volta Redonda e invadiram a CSN para forçar a saída dos grevistas. No dia 9, os metalúrgicos Carlos Augusto Barroso, com 19 anos, Valmir Freitas Monteiro, 27, e William Fernandes Leite, 22, foram mortos. Outros 40 trabalhadores ficaram feridos.

Apesar da truculência militar, os metalúrgicos resistiram e só encerraram a greve, no dia 24, depois que os homens do Exército saíram da usina e as reivindicações da categoria foram atendidas.