2011: um ano impossível de esquecer

Manifestantes comemoram na Praça Tahrir, após a queda de Mubarak

Esse é o momento em que as pessoas refletem sobre o ano que está acabando, mas, também, sobre o que está vindo. Alegrias e tristezas, esperanças e frustrações. Momentos muito diferentes, em geral cheios de significado, bons ou ruins. A tradição natalina projeta uma alegria artificial e muitas vezes inexistente. Mas o décimo terceiro salário e as férias (para os quem têm) tornam o fim de ano mais agradável para muitos.

É hora também de pensar coletivamente o futuro. Queremos nos dirigir aos ativistas que estiveram junto conosco nas lutas durante 2011. Essa edição do Opinião Socialista é dedicada a vocês, para fazermos, juntos, uma reflexão sobre o que ocorreu de mais importante nesse ano… E, também, as projeções para 2012.

Seguramente, você acompanhou as revoluções no Norte da África e do Oriente Médio. Deve ter se emocionado junto conosco ao ver as vitórias das massas, que derrubaram ditaduras no Egito e Tunísia. E, agora, torce pelas novas lutas contra o governo militar egípcio.

Você também acompanhou o debate em relação a Kadafi. Viu como nosso jornal esteve na linha de frente da defesa do levante contra sua ditadura e pôde comprovar que, desde o início, nos colocamos contra a intervenção imperialista na Líbia. Na realidade, os governos imperialistas não têm a mínima preocupação com a democracia. Por isso, apoiaram Kadafi enquanto ele mantinha uma ditadura estável e assegurava o controle das multinacionais sobre o petróleo líbio. Passaram para a oposição quando as massas se rebelaram diretamente contra ele, para tentar manter seu controle sobre o petróleo. Vergonhosamente, grande parte da esquerda apoiou Kadafi e foi derrotada junto com ele. Outra parte também se equivocou gravemente ao apoiar a intervenção imperialista. Mantivemos nossa independência política, apoiando a revolução do povo líbio contra Kadafi e lutando contra o imperialismo.

A situação na Europa deve tê-lo alertado da dimensão histórica que a crise econômica está tomando. Uma situação que, hoje, se traduz em mobilizações radicalizadas e crises políticas. O capitalismo se aproveitou da queda das ditaduras stalinistas no Leste Europeu para comemorar a “morte do socialismo”. Agora, a crise recoloca a discussão da necessidade do socialismo em pauta.

Você deve ter, também, acompanhado a evolução do governo Chávez, na Venezuela, que apóia Lula e Dilma, no Brasil, e apoiou Kadafi na Líbia. Esse governo prendeu e entregou para o governo, de direita, da Colômbia o dirigente das FARC, Julián Conrado, gerando repúdio por parte de todos aqueles que mantém algum grau de independência política. Nós, desde o início, não nos iludimos com o “socialismo do século 21” de Chávez, que é apenas o velho nacionalismo burguês reciclado.

Como não podia deixar de ser, você também viu a evolução do governo Dilma. Grande parte dos trabalhadores segue apoiando o governo. Mas os ativistas que estiveram à frente das lutas metalúrgicas, da construção civil, de professores, dos Correios, dos bancários e do funcionalismo público, podem tirar suas próprias conclusões.
De que lado estava o governo? Ao lado das greves, contra os patrões? Ou em defesa dos patrões, usando até a repressão para derrotar os trabalhadores?

Os ativistas das lutas estudantis puderam comprovar de que lado estava a UNE, governista e chapa branca, sempre contra as mobilizações, ao lado do governo.
Os que estiveram à frente das lutas dos trabalhadores, da juventude e setores oprimidos fizeram a experiência prática de terem a CSP-Conlutas e a ANEL como instrumentos necessários para a mobilização e unificação das lutas.

O ano de 2011 dificilmente poderá ser esquecido. É o momento em que a crise econômica internacional se juntou a grandes mobilizações de massas em muitas partes do mundo. Em que a revolução e o socialismo começam a voltar ao primeiro plano das discussões.

Agora, é hora de pensar em 2012 e no futuro. Existe um partido que esteve do seu lado nas lutas. Que pode ter uma política revolucionária porque é independente de Dilma, de Chávez, da Kadafi. E que expressa o programa da revolução socialista, cada vez mais necessário e presente. Esse partido é o PSTU.

Venha se juntar a nós para ajudar a construir o novo. A social-democracia dos partidos parlamentares e eleitorais não tem nada de novo. O PT que o diga. O stalinismo do PCdoB tampouco aponta para o futuro. Não por acaso, está junto ao PT em tudo, até na corrupção.

Venha se juntar ao nosso partido para lutar pelo novo, pelo socialismo, pela revolução.

Post author Editorial do Opinião Socialista 436
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