1º de Maio: por atos de luta, classistas e contra o governo

Os atos de 1º de maio têm, este ano, uma importância particular. A crise econômica está ameaçando o emprego de milhares de trabalhadores. É hora de iniciar uma reação ou teremos de enfrentar uma situação cada vez mais trágica.

A Conlutas, junto com outros parceiros, está organizando atos de luta, classistas e contra o governo em todo o país. Pode ser um avanço importante conseguir que esses atos unifiquem a vanguarda das lutas num mesmo plano de lutas contra as demissões.

Por que os atos são classistas…
A CUT e A força Sindical não têm nenhum compromisso com a luta. São centrais pelegas e atreladas ao governo e aos patrões. Não fazem atos de luta no 1º de maio, mas festas milionárias, pagas com dinheiro de grandes empresas ou do próprio governo. Nem mesmo uma crise tão brutal leva essas centrais a mudarem a proposta de festejar junto com patrões que demitem trabalhadores.

Esses setores não querem que os trabalhadores se identifiquem como classe que se enfrente com os capitalistas. Encaram a saída para a crise sempre com a mesma lógica de um programa comum com as grandes empresas. Por isso, defendem que o governo siga dando dinheiro para os patrões enquanto eles continuam demitindo.

… e contra o governo
Os atos da Conlutas são classistas porque não admitem patrões e seus representantes. E são contra o governo porque não se pode esquecer que é Lula quem aplica este plano econômico a serviço das multinacionais.

O 1º de maio acontece nesse ano no momento em que começa a existir um desgaste do governo Lula em função da crise econômica. Para tentar diminuir o desgaste, o governo está agindo em todos os terrenos. É isso que explica o lançamento de um plano de moradia popular que anuncia um milhão de casas, mas não quando elas seriam feitas. Lula sabe que não terá dinheiro para isso, como não tem para bancar a exploração do petróleo do pré-sal. Junto com isto, o governo já está anunciando quanto será o salário mínimo de 2010.

A CUT e a Força, como apóiam o governo, assumem suas explicações sobre a crise. Todas invariavelmente otimistas e um pouco delirantes. Sempre falam que o pior já passou.

No entanto, apesar de todo o jogo de cena, de todo o apoio da imprensa, a popularidade do governo vem caindo. As conseqüências da crise, como as filas de desempregados, vão se alastrando e a aprovação do governo caindo. Cai de um patamar muito alto, mas começou a cair. E a crise econômica só está começando.

Os atos da CUT e da Força chamarão os trabalhadores a confiarem no governo e em uma saída junto com os patrões para a crise. Nos atos da Conlutas e seus parceiros, apontaremos para a luta como única alternativa contra a crise.

Plano de lutas
Os atos do 1 º de maio da Conlutas são partes do plano de lutas articulado na plenária unificada do movimento sindical, popular e estudantil, realizada no Fórum Social Mundial em Belém.

Como parte da mesma política, a Conlutas e seus parceiros estão articulando um abaixo-assinado para ser passado em todo o país, em defesa da estabilidade no emprego, pela redução da jornada sem redução de salários, a reestatização da Embraer e de todas as empresas que demitam, além de outros pontos. O abaixo-assinado será lançado nos atos de 1º de maio em todo o país.

A continuidade dessa luta deve se dar em dois planos. O primeiro é realizá-la em cada categoria ou empresa que demita, articulando uma mobilização concreta de defesa do emprego.

Outras expressões são as campanhas salariais em curso, que já geraram greves como a petroleira, cujo saldo foi uma grande vitória. Agora estão em campanha salarial os operários da construção civil, motoristas, funcionários públicos e outras categorias.

Mas é necessário apontar um novo dia nacional de lutas. O 30 de março foi um primeiro dia de mobilizações. É necessário dar um passo adiante. A Conlutas está chamando a CUT e a Força Sindical para um dia de paralisação nacional, semelhante ao que foi realizado na França recentemente. É o momento de dar uma forte resposta nacional contra a crise.

Post author Editorial do Opinião Socialista Nº 374
Publication Date