10 horas nas mãos da ocupação israelense

Soraya Misleh, da Ciranda, relata o que passou com mais 3 brasileiros do movimento Por Uma Palestina Livre que foram à fronteira da Jordânia com a Palestina para lembrar a Nakba e exigir direito de retornoMensagem vinda de um grupo de quatro brasileiros que integram o Movimento Palestina Livre revela o totalitarismo utilizado pelo Estado de Israel para impedir que palestinos e descendentes retornem à sua terra de origem. Eles saíram do Brasil dia 13 para participar e “apoiar as manifestações pacificas para lembrar o dia da nakba palestina e exigir o direito inalienável de retorno do povo palestino”, explicam na mensagem.

No dia 15, dia da Nakba, já estavam entre os refugiados palestinos na Jordânia e acompanharam os protestos que fizeram parte de um grande cerco às fronteiras Palestinas, ocupadas por Israel, e que foi reprimido com violência pelas forças de ocupação.

Um jovem da Jordânia foi morto, causando revolta na população e nos campos de refugiados, e a expectativa é de que as manifestações prossigam nas fronteiras. Mais de dez manifestantes foram mortos no Líbano, nas mesmas celebrações da Nakba – que significa a catástrofe da expulsão do povo palestino promovida para dar lugar ao Estado de Israel.

Detenção na fronteira
Nesta segunda-feira, 16, o grupo brasileiro tentou entrar na Palestina em missão de observação e solidariedade do movimento Por uma Palestina Livre, mas foi barrado pelas forças da ocupação.

“Ficamos sete horas sendo intimidados, isolados uns dos outros, ameaçados, sofremos tortura psicológica nos interrogatórios, privação, revistas no corpo e bagagens. Fomos tratados como verdadeiros criminosos”, informam em sua mensagem.

Soraya Misleh, jornalista da Ciranda e integrante do movimento, relata que os brasileiros ficaram horrorizados com a intolerância diante de manifestações pacíficas e o total desrespeito aos direitos das pessoas detidas. “Estou abalada e muito indignada”, ela relata. “Nos intimidaram de todas as formas, durante horas seguidas”.

O grupo diz ter sentido na pele que, “a criminalização dos movimentos sociais que tanto combatemos é uma prática comum por parte do Estado sionista” e que “vários brasileiros e brasileiras descendentes de árabes ou ativistas já passaram por essa situação inaceitável”.

Go back to Jordan!
Os quatro brasileiros portarão agora um passaporte carimbado com a “entrada negada” do Estado de Israel, o que na prática os impedirá de visitar parentes, amigos ou de participar de outras missões solidárias ao povo palestino. Além de causar-lhes outros constrangimentos em viagens internacionais, necessárias quando se trata de apoiar as causas de um povo expulso de seu próprio país.

Soraya já esteve antes na Palestina, participando de atividades do Fórum Mundial de Educação, fazendo cobertura jornalística para a imprensa alternativa brasileira e do universo do Fórum Social Mundial. Os passaportes carimbados foram devolvidos sem qualquer explicação. Segundo o grupo, tudo que ouviram foi: Go back to Jordan!

“Nos levaram até a saída e nos colocaram num ônibus em que ficamos quase duas horas junto a um senhor de origem árabe, também banido”. Durante esse tempo, não tiveram autorização para sair do local, novamente sem justificativa. “Ao todo, passamos quase dez horas sem comer e sem beber – tomamos um copo de água e duas bolachas após insistirmos muito e pressionarmos”.

Considerando que não é um caso isolado, já que “há diversos relatos de discriminação, sobretudo contra ativistas e cidadãos e cidadãs de origem árabe” e que os israelentes “jamais seriam tratados assim no Brasil” o grupo quer providências do governo brasileiro providências e pede ao movimento social que pressione por medidas para que nenhum brasileiro passe novamente por isso.

Nesta terça-feira, o grupo irá à embaixada brasileira de Amã denunciar os maus-tratos e abusos de que foram vítimas, exigindo do governo providências após a atitude arbitrária de Israel contra cidadãos brasileiros tratados como criminosos.