Vale é condenada em caso de assédio moral contra trabalhadora

Metabase-Inconfidentes

Em julho, a Vale foi derrotada em primeira instância num processo contra um supervisor que assediou moralmente a trabalhadora da empresa Fátima Cunha, da Mina de Fábrica e diretora do Metabase Inconfidentes.

O supervisor Reginaldo Gonzaga Melo disse que iria “quebrar a cara” de Fátima caso ela não se calasse. Além de assédio moral gravíssimo, tal ameaça expressou a prática antissindical e machista da empresa, pois Reginaldo disse isso porque Fátima luta em defesa dos trabalhadores. A Vale ainda tentou acobertar o supervisor, fazendo uma homenagem a ele dias antes da audiência.

Este senhor já tinha histórico de assédio pra cima dos trabalhadores e, mesmo conhecendo os limites da justiça e entendendo que se trata de uma vitória parcial, este ocorrido ensina uma importante lição para os (as) operários(as): É possível e mais que necessário lutar contra o assédio moral.

Machismo a serviço do lucro
O ocorrido com a companheira Fátima é um caso claríssimo de como as grandes empresas se usam do machismo para dividir e desmoralizar a classe trabalhadora. O supervisor não ameaçou nenhum dos outros diretores homens, ameaçou a mulher. E a ameaçou numa das formas mais vis do machismo: a violência física. É sempre bom lembrar que a cada 1h30min morre uma mulher vítima de violência, e que a grande maioria das vítimas é da classe trabalhadora. O objetivo dele era desmoralizar a companheira, tirá-la das fileiras dos que lutam contra a exploração da Vale.

Tão ou mais importante quanto a denúncia é nos organizarmos para lutar contra o assédio moral e sexual que ocorre nas empresas” afirma Fátima. “Exigimos também das empresas a criação de uma comissão de trabalhadores com estabilidade, eleitas pela base, uma por setor, para averiguar denúncias de casos de assédio juntamente com o sindicato e a empresa. Para os casos de assédio, a comissão deverá ser composta exclusivamente por mulheres. A pessoa que denuncia deverá ter estabilidade enquanto decorre a investigação, que deverá ser prorrogada por mais 2 anos caso se comprove o assédio”, defende.

O que é o assédio moral e sexual?
Assédio moral é crime e é caracterizado pela exposição constante e repetitiva a situações de humilhação no ambiente de trabalho. É uma prática comum dos chefes e superiores com o objetivo de gerar desestabilização emocional e desmoralização nos trabalhadores.

Junto com assédio moral, é uma prática muito comum nas empresas o assédio sexual. É uma insinuação ou proposta sexual, repetida, por parte de um chefe e que não é desejada pela trabalhadora subalterna. Assédio não é paquera! Atração e amor entre companheiros de trabalho é uma relação recíproca! O assédio sexual nunca é recíproco, o desejo e o poder só estão do lado do chefe.

As mulheres nunca são culpadas pelo assédio sexual!
Muitas vezes as mulheres pensam: “será que eu dei algum sinal ou estou me vestindo e me comportando de forma errada?”. Tal como não culpamos uma pessoa que é assaltada porque levava dinheiro dentro da bolsa, não podemos dizer que a maneira de se vestir e de se expressar de uma mulher encoraje ou justifique o assédio sexual.

Este caso é uma demonstração de que o machismo só é bom para os patrões e que a classe trabalhadora deve se unir, homens e mulheres, para combater o machismo”, afirma Ivan Targino, diretor do Metabase. “Os trabalhadores que são machistas acabam fazendo o jogo dos patrões, pois isso desmoraliza uma parte da nossa classe e a torna mais frágil para combater a exploração. Um trabalhador que é machista com uma trabalhadora faz o mesmo que um fura-greve, pois divide a nossa classe e fortalece os patrões”, completa.