USP: Violência policial a serviço do ajuste

Reitoria e governo Alckmin reprimem violentamente manifestação na USP contra projeto de destruição da universidade

Para aprovar o plano de ajuste intitulado “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico Financeira da USP”, que ficou conhecido como “PEC do Fim da USP”, a gestão Zago-Vahan da reitoria da universidade promoveu uma forte repressão à manifestação de estudantes, funcionários e docentes que ocorria em frente ao local da reunião do Conselho Universitário nesta terça, dia 7.

Após sucessivos anos de arrocho salarial, da demissão de mais de 3.000 funcionários (via Plano de Demissão Voluntária), de sucateamento do Hospital Universitário, terceirização dos restaurantes e fechamento das creches, a reitoria agora aprova um novo pacote de medidas que aprofunda as ações de desmonte da USP e de retiradas de conquistas. O pacote aprovado é uma espécie de Lei de Responsabilidade Fiscal da USP, que estabelece um teto de 85% do orçamento com folha de pagamento (hoje esse número está acima dos 100%).

Para atingir essa meta, estabelece um período de transição de 5 anos, no qual os salários serão congelados e novas contratações suspensas. Ao final desse período, o projeto prevê, inclusive, demissão massiva de trabalhadores. Ou seja, em nome de uma suposta responsabilidade financeira, quem paga o pato são os funcionários e docentes, com forte impacto na qualidade do ensino, da pesquisa e extensão universitárias.

Diante desse profundo ataque, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), o DCE (Diretório Central dos Estudantes) e a Adusp (Associação dos Docentes da USP), em conjunto com as entidades representativas de funcionários e docentes da UNESP e da UNICAMP convocaram uma manifestação na porta da reitoria da USP durante a reunião do Conselho Universitário que votaria a medida. A manifestação contava com mais de 1.000 pessoas e transcorria pacificamente, quando a PM paulista, a mando da reitoria e com anuência do governador Alckmin, atacou violentamente os manifestantes, com bombas e muita truculência, para garantir a entrada dos conselheiros e a votação do projeto.

Ao final foram 3 estudantes e 1 funcionário detidos (já liberados) e diversos feridos. A PM cometeu diversos abusos, tentando inclusive prender acompanhantes de feridos que foram encaminhados para o Hospital Universitário.

PM agride mulheres na véspera do 8 de março
Durante a repressão, chamou a atenção a particular truculência da PM contra diversas companheiras que estavam no ato. Ao menos duas trabalhadoras da universidade foram brutalmente atacadas pela polícia, com pancadas na cabeça e diversas escoriações. Também algumas estudantes foram atacadas pelos policiais. Já não bastasse os ataques que as mulheres da USP estão sofrendo, com fechamento das creches entre outras medidas que atingem particularmente as mulheres trabalhadoras e as estudantes que são mães, a reitoria, na véspera do 8 de março, oferece mais essa “homenagem” às mulheres da universidade.

Conselho Universitário é uma farsa grotesca
Mesmo após a entrada da reitoria ter se tornado uma praça de guerra, com as cenas de violência policial contra os manifestantes, os membros do Conselho Universitário, formado por ampla maioria de professores ligados à estrutura de poder da universidade, fingiram que nada aconteceu e votaram o plano do reitor sem nenhum constrangimento. Esse órgão de poder da universidade, que é extremamente antidemocrático na sua composição, demonstrou uma vez mais ser uma farsa, ignorando os anseios da comunidade universitária em favor de interesses particulares dos seus membros.

Fora Zago-Vahan! Construir uma greve unificada pra barrar o desmonte da USP!
Mesmo aprovando seu pacote de medidas e reprimindo violentamente o movimento, o reitor Zago e seu vice Vahan não poderão conter o descontentamento que existe na universidade. A manifestação ocorrida neste dia 7 demonstrou a disposição de luta de estudantes, funcionários e professores da universidade.

O projeto de universidade defendido por Zago-Vahan e os seus planos de ajuste estão na mesma linha dos ataques promovidos pelo governador Alckmin e pelo governo Temer contra os direitos dos trabalhadores. Assim como se faz necessário unificar as lutas e construir uma greve geral no país para derrotar as contrarreformas de Temer, na USP precisamos construir uma forte greve unificada das 3 categorias pra barrar o processo de desmonte da universidade.

É preciso colocar pra Fora o reitor Zago e seu vice Vahan, bem como essa corja de burocratas que compõe o Conselho Universitário da USP, para que possamos abrir caminho para construção de uma universidade a serviço dos trabalhadores, na qual os seus filhos possam estudar.

Fora Zago-Vahan! Abaixo o Conselho Universitário!

Barrar o desmonte da USP!

Por uma universidade a serviço dos trabalhadores!

Reinaldo Souza* é diretor do Sintusp e militante do PSTU