RJ: Pelo fim imediato do cerco policial ao Jacarezinho

Operação policial em Niteroi. Foto Agência Brasil

A favela do Jacarezinho vivencia novamente um cenário de guerra, desde que o policial Bruno Guimarães foi morto na sexta-feira (11). A mando do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), não param de ocorrer operações policiais na comunidade, batizada pelos moradores como “Operação vingança”. Essas operações já chegam a nove dias consecutivos com intensos tiroteios.

Essa política de segurança criminosa do governo vem gerando grandes consequências para a vida da população. Os postos de atendimento da região, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Manguinhos, e todas as escolas e creches da região não abriram suas portas. As linhas de ônibus que circulavam pelo Jacaré tiveram o trajeto desviado, de modo que os trabalhadores não podem sair de suas próprias casas. Segundo informações da imprensa, os moradores estão estocando comida para evitarem sair às ruas. Não há segurança nem mesmo dentro de casa.

O saldo de todos esses dias de invasão policial na favela é de sete pessoas mortas. Entre as vítimas atingidas estão um feirante, um adolescente de treze anos, uma mulher, entre outros inocentes que tiveram suas vidas arrancadas por essa política absurda. Além dos mortos, há mais sete vítimas que foram atingidas pelos disparos, algumas estavam dentro de suas casas ou circulando para ir ao trabalho ou comércio.

A crise no Estado e o aprofundamento da violência
O Rio de Janeiro vivencia uma profunda crise econômica, esse é o estado com o maior percentual de desempregados do país. Há uma profunda crise na saúde, em que faltam os materiais mais básicos para o funcionamento dos hospitais e muitos estão fechando suas portas. O mesmo ocorre na educação que cada vez mais destina menos verbas, vide a atual situação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em que estudantes e trabalhadores estão em uma ofensiva luta contra o seu fechamento, assim como na FAETEC. Além de mobilizações dos trabalhadores da saúde e educação, explodem inúmeras revoltas das comunidades, contra as violentas ações policiais.

Por isto, o governo aprofunda ainda mais a violência, com a militarização das favelas. A política de mover as Forças Armadas para o Rio não é de hoje. Já vimos anteriormente, inclusive durante o governo Dilma (PT), que enviou tropas para ocupar a favela da Maré no período dos mega-eventos que ocorreram na cidade. Agora, como nas experiências anteriores, o resultado é desastroso. O tráfico continua lucrando. Parlamentares são pegos com aeronaves e fazendas com toneladas de cocaína e nada é feito contra eles. Extermina-se a juventude negra e pobre, enquanto nas fronteiras as drogas chegam ao país com ajuda de deputados e esquemas de corrupção entre as instituições. Nesse ano, por conta das operações policiais, já morreram sete crianças atingidas por balas perdidas, entre elas Maria Eduarda de 13 anos, morta dentro de sua escola na Zona Norte do RJ.

Precisamos dar um basta nessa situação!

– Fim imediado do cerco policial à favelas do Rio

– Para acabar com o caos social, Fora Pezão!

– Para ter dinheiro para gerar emprego, saúde e educação: romper com a Lei de “Responsabilidade” Fiscal e não pagar a dívida pública

– Para acabar com a guerra do tráfico: legalização das drogas

– Não às UPPs e desmilitarização da PM. Fim das incursões policiais nas favelas

– Que os moradores, com suas próprias organizações, apurem e definam a punição dos responsáveis pelas mortes e feridos no Complexo do Jacarezinho