O 1º de Maio na Avenida Paulista e a luta pelo fortalecimento de uma alternativa dos trabalhadores e da juventude

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As ocupações e greves do Rio engrossarão as fileiras do ato nacional em São Paulo

O 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, é uma data muito tradicional dos movimentos sociais em todo o mundo. Aqui no Brasil, esse ano será especialmente importante, dada a conjuntura em que vivemos, de crise econômica, social e política de magnitude histórica. O governo do PT, que está por um fio, estando prestes a encerrar um ciclo no país de governos de colaboração de classes, já não conta mais com a aprovação e a confiança da classe trabalhadora.

Após 13 anos no governo, o PT não ilude mais a maioria dos trabalhadores. Eles fizeram a sua experiência com aqueles que diziam que era possível governar para os ricos e os pobres ao mesmo tempo: viram que o resultado foi um governo para os banqueiros e empresários. Tampouco a oposição burguesa, capitaneada por Aécio, Cunha ou Temer, entre outros, consegue capitalizar o desgaste do PT, como demonstram inúmeras pesquisas.

Nessa data, há muitos anos, a CUT, MST, UNE e demais entidades governistas fazem “atos shows” com direito a sorteio de carro e um discurso 100% chapa branca, desvirtuando completamente o sentido de luta desse dia. Este ano, as frentes “Brasil Popular” e “Povo Sem Medo” realizarão um ato em São Paulo em defesa do governo, contra o suposto golpe e a favor da “democracia”. Ou seja, estarão jogando suas forças para defender a manutenção desse governo, que tanto atacou os trabalhadores e o povo pobre. Isso significa que tanto aquelas organizações que desde sempre são base de sustentação do governo, como a CUT, CTB e a UNE, quanto aquelas que se localizavam na oposição de esquerda, como o PSOL, estarão unidas, na prática, pelo “Fica Dilma”.

Por outro lado, os pelegos da Força Sindical, junto com a oposição burguesa, estarão também realizando em São Paulo um outro ato que nada tem a ver com os sentimentos de mudança dos trabalhadores e da juventude pois se opõem ao PT, mas defendem o mesmo programa de ajuste fiscal e governam também para banqueiros e empresários.

Felizmente, aqueles que querem retomar um autêntico 1º de Maio de luta têm alternativa. Haverá um grande ato nacional no próximo domingo que tomará a Avenida Paulista, convocada pela CSP-Conlutas e o Espaço Unidade de Ação em torno ao eixo: “Contra Dilma(PT), Temer, Cunha e Renan(PMDB) e toda a Oposição de Direita (PSDB,DEM e outros). Contra o ajuste fiscal. Queremos uma alternativa dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre“. Um ato que coloca a necessidade da construção de uma Greve Geral para barrar as reformas da Previdência e trabalhista, mas também para mudar tudo o que está aí. Um ato que fortalece a construção de um terceiro campo, dos trabalhadores, que fuja da falsa polarização entre os dois campos burgueses, o do governo e da direita conservadora.

As ocupações e greves do Rio engrossarão as fileiras do ato nacional em São Paulo
Mais uma vez, o estado do Rio de Janeiro é palco de inúmeras lutas. Os profissionais de educação já vão completar 2 meses de uma fortíssima greve, que engloba também outros setores do funcionalismo público estadual. Os estudantes secundaristas dão um maravilhoso exemplo e protagonizam mais de 80 ocupações de escolas em defesa da educação e em apoio aos grevistas. Funcionários e alunos da UERJ resistem fortemente ao desmonte da universidade e seu hospital. Motivos para lutar não faltam: atrasos constantes nos salários por parte do governo Pezão/Dornelles, serviços públicos cada vez mais caóticos, desemprego, violência policial crescente ao povo negro das periferias, etc.

Por isso, é muito importante que os trabalhadores do Rio estejam em peso no ato nacional do 1º de Maio na Paulista. Já começa a ser organizada a caravana, que contará com inúmeros ativistas das greves e ocupações de escola.

Quem defende a unidade da “oposição de esquerda” ao governo Dilma?
O PSTU esteve presente na reunião ocorrida na UERJ convocada pela Plenária dos Trabalhadores e a “Frente de Esquerda” com o objetivo de discutir o 1º de Maio. Nossa opinião é que seria importante a construção de um ato unitário no Rio, além da preparação de uma grande delegação daqui para o ato nacional em São Paulo.

Entretanto, muitos dos setores presentes na reunião, como o PSOL, o PCB, o NOS e até o MRT, não estavam realmente dispostos à unidade. Apesar de um honesto esforço do PSTU, abrindo mão de consignas como o “Fora Todos” e aceitando diversos dias e locais para o ato no Rio, não houve acordo. Mantiveram a realização do ato do Rio no mesmo dia do Ato Nacional em São Paulo convocado pelo Espaço de Unidade de Ação. E, pior, não se dispuseram a estabelecer um eixo comum ao não recuar da luta contra o impeachment como eixo do ato proposto para Madureira.

Na realidade, não se tratava de uma discussão sobre a data para a realização da manifestação, mas de qual deve ser a tarefa dos setores que se dizem ser oposição de esquerda em um ato de 1º de Maio: lutar contra os governos e os patrões ou fazer coro com a campanha do “Fica Dilma”? No texto do evento no Facebook do ato chamado para Madureira, consta a denúncia do impeachment como uma “ameaça que vai derrubar um governo democraticamente eleito”. Para bom entendedor, meia palavra basta. A tarefa, então, é a defesa do mandato de Dilma? E mais, entre os eixos do ato, não consta nenhuma consigna contra os governos.

Não defendemos o impeachment, porque não queremos trocar seis por meia dúzia. Mas não podemos fazer coro ao “Fica Dilma”. Não basta que se diga de oposição ao governo ou contra o ajuste fiscal. Para lutar de forma coerente contra o ajuste fiscal é necessário lutar para colocar todos eles para fora, pois Dilma, Temer, Cunha, Aécio e o Congresso Nacional estão unidos para aplicar o ajuste. A proposta de estabelecer 65 anos de idade para aposentadoria foi apresentada pelo Ministro de Dilma em janeiro. A ideia de que os Acordos Coletivos se sobreponham ao que está na CLT nasceu da CUT, proposta pelo Sindicato de Metalúrgicos do ABC ainda em 2011. E foi sorrateiramente embutida no chamado Programa de Proteção ao Emprego de Dilma. Ou seja, para lutar contra os ataques, é necessário lutar contra o governo.

Por tudo isto, o PSTU não estará no ato em Madureira. Achamos que os trabalhadores não precisam de mais um ato que defenda o governo. PT, PCdoB e as entidades governistas já cumprem muito bem este papel.

Depois do dia 1º de Maio, continuaremos dedicados à construção da unificação das lutas contra Dilma/Temer, Pezão e Paes. Esta é uma necessidade dos servidores públicos estaduais em greve, dos estudantes que ocupam as escolas e dos trabalhadores. Somente a força de uma Greve Geral poderá impedir a dimensão dos ataques que estamos sofrendo. Somente uma Greve Geral poderá colocar todos nossos inimigos para fora.

Para dar conta de tudo isto é que os trabalhadores precisam da unidade da esquerda. É necessário ajudar a classe trabalhadora a entender quais são suas tarefas. Nossos inimigos não são apenas Temer, Cunha e Bolsonaro. Nossos inimigos são tanto o PT, que não para de implementar seus ataques, quanto o PSDB e o PMDB, que tentam retomar o controle do Estado. Temer já negocia com os banqueiros e empresários a conformação de um novo governo que aplique o programa que o PT não mais consegue, pela instabilidade política do país.

A esquerda tem que escolher um lado. O PSTU escolheu o lado dos trabalhadores, contra os dois lados dos inimigos. Achamos que a verdadeira esquerda deveria fazer o mesmo.