Nessas eleições, voto útil é no 16

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Com a proximidade das eleições municipais, cresce a pressão pelo chamado “voto útil”, ou seja, a tendência a se votar naquelas candidaturas melhores posicionadas, com mais chances de vencer. Como isso funciona? Dentro do espectro dos candidatos à frente das pesquisas eleitorais, escolhe-se aquele “menos pior” para não “jogar o voto fora”.

O problema é que não existe candidato “menos pior”. Existem os candidatos dos grandes partidos, como o PT, PSDB e PMDB, comprometidos com as grandes empreiteiras, bancos e empresários, e existem as candidaturas que se colocam ao lado dos interesses da classe trabalhadora. Não existe meio termo. Ou se governa para os ricos, ou para os trabalhadores e a população pobre.

Lembra do que aconteceu nas últimas eleições presidenciais? Dilma já enfrentava grande desgaste por conta dos efeitos da crise na vida da população. Ninguém tinha expectativa em relação a ela e ao PT, mas do outro lado tinha Aécio Neves e o PSDB. O PT conseguiu, na época, convencer as pessoas a votarem no “menos pior”.

Dilma afirmou que, caso eleito, Aécio iria privatizar, governar para os bancos e retirar direitos dos trabalhadores. E isso era a mais pura verdade. Mas também disse que, caso ela fosse eleita, não ia atacar direitos nem que “vaca tussa”. O que logo depois se mostrou uma mentira deslavada. A questão é que, embora ninguém nutrisse expectativa em Dilma, o principal era impedir a eleição de Aécio, o “mal menor”. E, ao fim e ao cabo, os dois se revelaram duas expressões de uma mesma política econômica.

Esse mesmo estelionato eleitoral ocorre agora nas eleições municipais. O discurso de todos é muito parecido: mais escolas, mais hospitais, mais creches, etc. Mas, tão logo eles forem eleitos, farão o contrário. Os candidatos do PT vão seguir a política que Dilma implementou até cair, e os alinhados a Temer e o PMDB vão seguir aplicando essa mesma política. Assim como Temer fez em relação a Dilma.

Por que Temer está segurando o envio da reforma da Previdência ao Congresso Nacional para depois das eleições? Para que os candidatos possam mentir. Para que tenham a cara dura de dizer agora que são a favor dos direitos e, tão logo passe as eleições, possam votar ou apoiar uma reforma que arrebenta com a sua aposentadoria. Seja uma candidatura do PT, PMDB ou PSDB.

Agora pense: é ou não jogar seu voto fora escolhendo um candidato que você sabe que está mentindo e que, caso eleito, fará tudo o contrário do que agora diz? Não só é jogar fora, como é um voto contra seus próprios direitos.

As candidaturas “de esquerda”
Mas e o caso das candidaturas de “esquerda” vistas como mais viáveis, no caso atual algumas candidaturas do PSOL que contam com bom desempenho nas pesquisas eleitorais? Caso, por exemplo, de Marcelo Freixo no Rio, Luciana Genro em Porto Alegre ou, em menor escala, Erundina em São Paulo.

O problema aqui é que essas candidaturas não se colocam de forma decidida ao lado dos trabalhadores, muito pelo contrário. Luciana Genro e Freixo já admitiram as PPP’s, ou seja, as privatizações disfarçadas em que serviços públicos são passados à iniciativa privada. E sabemos como isso é prejudicial à população e aos trabalhadores. Já Erundina dispõe da maior parte de sua campanha, principalmente nos debates, reivindicando seu mandato como prefeita, o mesmo em que reprimiu greves de motoristas e professores.

E nenhum deles têm qualquer proposta de ruptura com os bancos, grandes empresas ou a Lei de Responsabilidade Fiscal, que seria um primeiro passo para mudar de fato a vida do povo. Dizem que governarão “para todos”, sendo que isso é impossível. Quem diz que vai governar para todos vai governar para a burguesia, como fez Erundina quando prefeita em São Paulo. Fazem isso porque sua estratégia são as eleições, custe o que custar. O PT já trilhou por esse caminho e sabemos no que deu.


Campanha de Cleber Rabelo à prefeitura, em Belém (PA)

Voto útil é o voto no 16
O PSTU não acredita que algo vai mudar pelas eleições, um mecanismo de cartas marcadas ditado pelos bancos e empresas. Uma mudança significativa na vida dos trabalhadores só virá com luta. Mas, mesmo assim, as eleições são um momento importante para denunciar esse sistema, tentar fazer avançar a consciência da classe trabalhadora e fortalecer um projeto socialista para a sociedade. E nisso, o voto ajuda sim.

O voto pode ser um gesto político. Cada voto nas candidaturas do PSTU é um ponto de apoio contra tudo o que está aí. Cada voto no 16 nessas eleições fortalece o rechaço a esse governo Temer e às suas reformas, ao governo Dilma que nos traiu e atacou, e a esse Congresso Nacional de corruptos. Votando 16 você estará mandando um recado bem claro: “Fora Temer! Fora Todos eles! Não aceito nenhum direito a menos! Abaixo as reformas da Previdência, Trabalhista, a reforma do Ensino Médio e o ajuste fiscal”.

Ao votar no 16 neste domingo, você também estará dizendo: “Isso aqui não muda nada, precisamos de uma Greve Geral para acabar com esses ataques e botar todos eles para fora! Não quero mais ser governado por esse Congresso que aí está, eu, junto com minha classe, é que devo governar”.

Esse recado que você estará dando à burguesia, ao governo e a toda sociedade é a maior utilidade que você pode dar ao seu voto. Não elegendo os mesmos picaretas de sempre que amanhã vão traí-lo, ou em alguma candidatura que pareça de esquerda mas que depois irá decepcioná-lo.