Famílias ocupam terreno na Região Metropolitana de Belo Horizonte

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Ocupação William Rosa

Luta Popular está a frente da ocupação que já reúne 300 famílias

William Rosa é o nome de mais uma ocupação em Minas Gerais. A ocupação é organizada pelo movimento Luta Popular, filiado à CSP Conlutas. São cerca de 300 famílias encampam a luta por moradia em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Nós, do PSTU, apoiamos a ocupação William Rosa com os braços e pernas de nossos militantes que estão presentes construindo barracas, cozinha, creche etc. Colocamo-nos na linha de frente da ocupação por acreditarmos não somente na justeza da causa, como também na luta dos trabalhadores. Aqueles que hoje constroem seus barracões em Contagem dão exemplo de luta por seus direitos.

Abaixo, reproduzimos a nota escrita pelo Luta Popular sobre a ocupação William Rosa:

Minha Casa, Minha Luta
Mais uma ocupação está se consolidando na região metropolitana de Belo Horizonte. Trata-se da ocupação William Rosa, organizada pelo movimento Luta Popular, filiado à CSP-Conlutas, com a parceria de diversas organizações como a AGB e o Instituto Helena Greco (IHG)

O ano de 2013 está sendo marcado pelo retorno da classe trabalhadora brasileira às ruas. Se junho foi o mês das grandes passeatas, o segundo semestre deste ano trouxe um aumento crescente das ocupações urbanas na região metropolitana de Belo Horizonte. A explicação para isto é bastante simples: é impossível a uma família que ganha até três salários mínimos adquirir moradia. O preço dos aluguéis é insustentável, chegando a consumir até 50% da renda de quem já vive com muito pouco, e com a volta da inflação o quadro se agrava ainda mais.

Os programas governamentais atendem um percentual insignificante de famílias de baixa renda. O Minha Casa, Minha vida – programa do governo federal muito propagandeado pela presidenta Dilma, garante o repasse de recursos para as grandes empresas que, por questões econômicas, optam por não construir moradias para a população que recebe até 3 salários mínimos. A consequência disto é que até início de 2013, na região metropolitana, o número de casas entregues para famílias com esta faixa de renda não conseguiu suprir sequer a nova demanda gerada, quanto menos diminuir o déficit habitacional de mais de 170 mil famílias.

Os programas municipais nos últimos anos, tanto de BH quanto de Contagem, serviram apenas para garantir moradia para parte das famílias que são removidas em função das obras. Quanto aos programas estaduais, estes não existem. Há mais de 20 anos que os governantes mineiros não constroem nenhuma moradia na região metropolitana. Para todo o estado, o orçamento destinado a esta área não chega a 1% da receita. Como se vê, nem Lacerda, nem Carlim, nem Anastasia e nem Dilma atuam para garantir o direito básico de moradia às famílias mineiras.

É este quadro de desalento que faz com que milhares de famílias optem pela ação direta e por ocupar terrenos abandonados na cidade. Tentam assim garantir na luta um direito que lhes é negado. Quando se organizam, atuam para que a ocupação do espaço urbano seja mais racional.

O terreno onde se localiza a ocupação William Rosa é uma área do governo federal, que deveria ter sido destinada à expansão do Ceasa, o que após 43 anos não aconteceu. As mais de 300 famílias ali ocupadas reivindicam que esta área seja destinada à construção de moradias populares. A justificativa tradicional dos governantes municipais de que os terrenos são muito caros não se justifica neste caso. Afinal, trata-se de um terreno público.

Mas a construção de moradia somente não basta. Contagem está entre as cidades mais ricas deste estado, precisamos de transporte público que atenda com qualidade a ocupação William e todos os moradores da região, unidades de saúde decentes e escolas que garantam integralidade de atendimento da educação infantil ao ensino médio.

Estas na verdade são as reivindicações de todas as ocupações urbanas da região metropolitana de Belo Horizonte e de todos os moradores das periferias destas cidades, aos quais os moradores da William Rosa se somam.

Sabemos que o sucesso destas famílias representa uma vitória para todos os trabalhadores, por isto pedimos a solidariedade de todos, para que a ocupação William Rosa possa enfrentar a repressão e a inércia do estado e se consolide.

Como contribuir – Visite a ocupação que fica no bairro Jardim Laguna, próximo ao Ceasa e se puder nos ajude a recolher roupas, alimentos, material de construção. Entregue as doações no próprio local, na CSP- Conlutas (Av. Amazonas 491, 10º andar), Sindeess (Rua Floresta 114)- Novos pontos de coleta serão divulgados em breve. Além disso, é muito importante que nos ajude a divulgar a nossa luta.

O que é o Luta Popular – Trata-se de um movimento popular presente em vários estados do país e que tem o objetivo de organizar os trabalhadores a partir do lugar onde moram. Organizamos grupos culturais que tem como objetivo a valorização da arte e cultura independente, grupos e associações de moradores dos bairros das periferias das grandes cidades que lutam cotidianamente por transporte, educação, saúde e pela infra estrutura do bairro e também grupos de luta por moradia. Para nos conhecer melhor visite a ocupação William Rosa ou faça contato pelos telefones: 89627608 (oi) ou 32712406 (horário comercial)

Por que William Rosa – William Rosa Alves era Geógrafo, professor do Instituto de Geociências da UFMG, militante da associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB). Faleceu após um trágico atropelamento em primeiro de julho de 2013, aos 45 anos. William nasceu em maio de 68 e levou por toda a sua vida a marca da rebeldia, da indignação e da vontade de mudar o mundo, tão característica deste período. Foi um defensor das lutas do povo trabalhador e quando faleceu desenvolvia um trabalho junto a ocupações urbanas de BH, mais do que um trabalho acadêmico desenvolvia um trabalho de militância, o que, aliás nunca dissociou de sua vida profissional. William Rosa presente, presente, presente!