Estudantes dão a letra em São Paulo

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Estudantes fecham avenidas durante protesto em São Paulo
(Foto: Romerito Pontes)

Ocupações das Escolas fazem Alckmin recuar e revogar projeto de reorganização

Com mais de 200 escolas ocupadas, os estudantes resistiram até o fim nesta primeira batalha. Foram artimanhas de todo o tipo por parte do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) para derrotar o movimento. Sabotagens, truculência policial, tudo com o apoio dos grandes meios de comunicação.
 
Em reunião no dia 29 de novembro, na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, vazou um áudio de Fernando Padula Novaes, braço direito do então secretário de Educação de São Paulo, Herman Voorwald. “Nós estamos no meio de uma guerra e temos que nos preparar para continuar enfrentando. Eventualmente, a gente perde algumas batalhas, mas temos que ganhar a guerra final. A gente tem que, de um lado, desqualificar o movimento. Tem um grupo de fora, com jovens fazendo essa guerra da ação. Qual o nosso melhor instrumento? A informação!”, disse Padula.
 
Um dia depois, o plano do governador Geraldo Alckmin e do seu secretário foi colocado em prática. A TV Globo fez uma reportagem chamando os alunos de vândalos, tentando desqualificar o movimento. Mostrou uma suposta depredação realizada por estudantes na Escola Estadual Coronel Sampaio. A farsa foi logo desmontada. Os estudantes denunciaram que pessoas desconhecidas invadiram a escola e começaram a queimar livros didáticos e roubar computadores. Disseram, também, que a polícia chegou ao local, mas não impediu a ação dos que estavam depredando.
 
A declaração de guerra de Alckmin apenas deixou as ocupações ainda mais fortes. Eram mais alunos aderindo ao movimento. A comunidade e os pais nunca estiveram tão perto de suas escolas. Nossas crianças e nossos jovens estavam dispostos a lutar a qualquer custo.

 

 

Perdeu, playboy
Governo do PSDB recua e suspende fechamento das escolas

A heroica resistência dos estudantes obrigou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) a recuar. Em entrevista coletiva, no dia 4 de dezembro, o tucano anunciou a suspensão de seu projeto de reorganização escolar. No dia seguinte, o governo, por meio de uma publicação no Diário Oficial, revogou o Decreto 61.672, que dava início ao fechamento imediato de 93 escolas e o remanejamento de milhares de alunos. Ao mesmo tempo, também foi anunciada a demissão do secretário estadual de educação, Herman Voorwald.

O governo Alckmin acumulou grande desgaste com a mobilização estudantil. Apesar da truculência e da repressão policial, o movimento conseguiu amplo apoio da população, incluindo pais e mães de alunos, que não cederam à pressão do governo e se juntaram aos estudantes. O governo tucano teve a sua maior queda de popularidade, chegando à marca dos 28%.

Vitória da luta
O anúncio da suspensão do projeto é uma vitória dos estudantes paulistas, que deram um belo exemplo. As escolas ocupadas passaram a ser geridas pelos próprios estudantes, que decidem tudo democraticamente em assembleias. Sob o comando dos estudantes, as antigas escolas precarizadas do governo estadual se transformaram em ricos espaços de discussão, arte e reflexão.

Seguir lutando
Apesar da derrota, Alckmin pode tentar retomar seu projeto de reorganização escolar em 2017, pois o ajuste fiscal vai diminuir ainda mais as verbas da educação. Assim como o governo Dilma, o governo de São Paulo vai continuar cortando gastos das áreas sociais. Por isso, a mobilização dos estudantes secundaristas deve seguir, através das ocupações ou de novas manifestações de rua. 

Além da luta em defesa da educação, o movimento exige a punição dos policiais militares que invadiram as escolas e agrediram estudantes, bem como reivindica que não haja nenhuma criminalização dos ativistas e apoiadores. É fundamental, igualmente, avançar na organização estudantil, construindo grêmios livres, independentes e democráticos, nas escolas ocupadas.