Após marcha, encontro reúne 1200 e aprova continuidade da mobilização

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Fotos: Romerito Pontes

Encontro Nacional de Lutadores e Lutadoras define “outubro de lutas”

Um dia após a marcha nacional que reuniu 15 mil pessoas na Avenida Paulista contra o governo, o PMDB e a oposição burguesa, um encontro realizado no Sindicato dos Metroviários fez a avaliação do ato e definiu a continuidade da mobilização e do esforço de constituir um pólo de classe a essa crise. O Encontro Nacional de Lutadores e Lutadoras teve a presença de 1200 participantes de 140 sindicatos e movimentos sociais e populares.

Marcha vitoriosa
Na quadra do sindicato dos metroviários completamente tomada, o cansaço dos ativistas, muitos deles de delegações que atravessaram o país, só não era maior que a alegria de ter participado de uma marcha vitoriosa. “Foi uma demonstração de ousadia política desse campo dos trabalhadores que estamos tentando construir“, avaliou Sebastião Carlos, o Cacau, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

O ato contou com delegações de 24 estados e do Distrito Federal, foi organizado por 40 organizações e reuniu parte expressiva dos setores mais dinâmicos da classe, como os metalúrgicos em luta contra as demissões, o funcionalismo e os trabalhadores dos Correios em greve, além do movimento popular de várias ocupações urbanas. “Isso aqui é uma vitória, não do setor A ou B, mas da classe trabalhadora“, disse Cacau.

A proposta de resolução apresentada pela CSP-Conlutas no encontro parte do acúmulo de todo o processo de organização da marcha e aponta a realização de encontros e seminários nos estados, com a deflagração de uma grande mobilização em outubro, com protestos nos estados.

Para nós foi um orgulho muito grande estar com companheiros metalúrgicos, professores do Paraná, o funcionalismo, os companheiros dos movimentos populares“, relatou o dirigente do MÊS (Movimento de Esquerda Socialista, corrente do PSOL), Maurício Costa. “A sinalização que damos é que sim é possível ter uma alternativa que se diferencie de cima a baixo do governismo e da direita, essa é uma necessidade da classe trabalhadora”, disse.

O entusiasmo pela marcha do dia anterior vinha acompanhado por uma preocupação de se fortalecer um terceiro campo dos trabalhadores à falsa polarização entre governo Dilma e a oposição encabeçada por setores do PMDB e PSDB. “Se é verdade que a falência do governo está custando o sangue dos trabalhadores, também é verdade que precisamos construir uma alternativa de poder“, resumiu Neida Oliveira, da oposição do CPERS e da corrente Construção Socialista.

Temos que transformar essa energia e alegria aqui em luta nos estados“, defendeu o Presidente Nacional do PSTU, Zé Maria, defendendo a unificação das lutas e greves que estão ocorrendo mas reforçando que “os desafios colocados são mais políticos que econômicos“, ou seja, não basta unificar essas lutas, é preciso dar um caráter político contra o governo. “Sem derrubar esse governo não há como derrotar o ajuste fiscal“, disse,

Resolução
Entre os dez pontos reafirmados no encontro está o rechaço ao governo e à direita: “Nem governo do PT, nem os picaretas do PMDB e PSDB”, em seguida “abaixo o ajuste fiscal e a Agenda Brasil” e “Ajuste nos banqueiros, que os ricos paguem pela crise”, acompanhado por uma série de reivindicações como o fim das demissões, estabilidade no emprego, fim das privatizações e o fim do massacre dos povos indígenas.

A resolução ainda reforça o chamado aos setores da esquerda que não se incorporaram a esse processo. “Dirigimos-nos em especial às organizações dirigidas pelos setores da esquerda, como a CCT-Intersindical, o MTST, a Intersindical-Instrumento de luta, e também aos partidos como o PCB, PSOL e PSTU para nos somarmos nessa frente para lutar“, diz o texto, que ainda faz um chamado às direções da CUT, Força Sindical e CTB, que rompam com o governo e que venham lutar contra esses ataques, rumo a uma Greve Geral nesse país.

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