2016 Será um ano de luta: Os desafios já começaram

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Leia o Editorial do Opinião Socialista nº 511

Terminado o carnaval, volta a funcionar o governo, o Congresso e o judiciário trazendo ainda mais ataques e maldades contra a classe trabalhadora para favorecer os banqueiros e os grandes empresários.

Os novos capítulos da novela do impeachment perderam força no Congresso desde o final do ano passado. Nessa briga entre o sujo e o mal lavado, a maioria dos banqueiros e dos empresários prefere que eles briguem um pouco menos e ataquem juntos e ainda mais a classe trabalhadora. Dilma, o PT, seus aliados e a oposição “pró impeachment” de Aécio (PSDB) e Cunha (PMDB) são dois lados da mesma moeda . A banqueirada sabe disso.

Estão jogando a crise nas nossas costas
Os trabalhadores e o povo pobre estão comendo o pão que o diabo amassou com essa crise. 2016 vai ser ainda pior do que já foi 2015. Todas as previsões apontam para uma recessão entre 3% e 4%. Isto significa que o Brasil vai decrescer 8,1% em dois anos. O que já está causando muita demissão. Junto com o desemprego, há o arrocho nos salários num momento de forte aumento dos preços. Se não bastasse, o governo Dilma, o Congresso Nacional e os governadores dos estados estão cortando gastos públicos e sociais, piorando a educação, a saúde, os transportes. Tudo para quê? Para destinar mais dinheiro aos banqueiros e ao pagamento da dívida pública para apoiar as grandes empresas.

Ao invés de protegerem os empregos, a moradia e os direitos dos trabalhadores, fazem de tudo para aumentar o lucro do patrão, com mais desemprego e exploração.

É de indignar ver demissões em massa em empresas que receberam milhões em subsídios e os governos lavarem as mãos. Ou ver empresas terceirizadas que ganharam rios de dinheiro pagando salários de miséria e sugando verbas públicas, atrasarem salários, demitirem sem pagar direitos e ficar por isso mesmo. Ou a Vale-Samarco causar o estrago que causou e continuar sem punição.

Por que Dilma não estatiza essas empresas, sem indenização, e coloca as mesmas sob controle dos trabalhadores? Por que não confisca os bens dos empresários que não pagam os direitos, como na Higilimp, na Mabe e em centenas de outras empresas?

Que nada! Dilma, PT, PSDB, PMDB e governadores planejam ainda mais ataques. O governo quer fazer uma nova reforma da Previdência. Os governadores fazem o mesmo que o governo federal: cortam verbas do serviço público e privatizam.

A Mabe mostra o caminho
A classe trabalhadora está lutando. Operários e trabalhadores estão fazendo greves. Os estudantes de São Paulo ocuparam as escolas. Agora, os metalúrgicos da Mabe de Campinas e Hortolândia, em São Paulo, ocuparam a fábrica contra as demissões e pelo pagamento de direitos. O funcionalismo público está em luta em muitos estados e municípios e também em nível federal. O caminho é unir as lutas, no rumo da construção de uma greve geral.

Não podemos aceitar demissões em massa e desemprego. É preciso exigir que o governo estatize as empresas que demitirem. Os operários da Mabe mostraram o caminho. Demitiu, parou! Se quiserem fechar a fábrica e ainda não pagar direitos, os trabalhadores devem seguir o caminho da Mabe, ocupar e exigir que o governo estatize a fábrica. Vamos impedir a reforma da Previdência e as privatizações.

Para isso, precisamos construir uma Greve Geral, parar o Brasil e derrotar Dilma, o Congresso, governadores e a patronal.

Devemos chamar a CUT, a CTB e outras organizações governistas a que parem de negociar PPE, que não protege emprego algum, e que parem de defender o Fator Previdenciário e a virem construir uma Greve Geral, como propõe a CSP-Conlutas. Devemos chamar também a Força Sindical a vir para esta luta e parar de apoiar Aécio e Cunha.

Construir novas ferramentas de luta
Devemos chamar todas as centrais e movimentos sociais à unidade para lutar contra esses ataques. Porém, se estas organizações se recusarem a lutar e continuarem atrelados ao governo ou à oposição burguesa, achamos que aqueles sindicatos e setores que concordam com a necessidade da luta devem romper com elas e se somarem aos que estiverem lutando.

As organizações atreladas ao governo ou a Aécio e Cunha têm sido um obstáculo para a defesa dos interesses da classe trabalhadora e para a unificação da nossa luta. Pois, ao estarem atrelados a dois blocos que representam os planos dos banqueiros e da patronal, nunca lutam de maneira coerente.

A “Frente Povo Sem Medo”, por exemplo, (composta pela CUT, CTB, UNE e também pelo PSOL e MTST), privilegia organizar atos em defesa do mandato da Dilma. E o pessoal da Força Sindical, a favor do “impeachment”, é a favor de Aécio, Temer e Cunha.

A classe trabalhadora, para lutar, não pode estar atrelada nem ao governo nem ao PSDB. Ambos defendem os interesses dos banqueiros e da patronal. É  preciso construir novas ferramentas para lutar.

Fora Todos eles!
Os trabalhadores não podem apoiar nenhum lado dessa moeda. Nem o governo, nem a oposição burguesa. Devemos com a nossa mobilização botar para fora todos eles! E construir um governo socialista dos trabalhadores, sem patrões e sem corruptos formado por Conselhos Populares.