Varig: depois do leilão, as demissões

Nesta quinta, dia 20, ocorreu o leilão que selou o destino da Varig. Por US$ 24 milhões, a ex-subsidiaria da empresa, a VarigLog arrematou a companhia. O leilão, porém, não traz boas notícias para os 10 mil funcionários da Varig. Os novos donos da empresa querem implementar um plano de reestruturação que vai reduzir drasticamente o número de trabalhadores.

O plano apresentado aos credores prevê a demissão de cerca de 8 mil funcionários. A chamada nova Varig terá 13 aviões e terá entre 1.500 a 2 mil funcionários. Já a chamada Varig antiga, que permanecerá em recuperação judicial, herdará as dívidas de R$ 7,9 bilhões, deverá ter apenas 50 empregados e um avião.

O drástico corte de pessoal demonstra que a única saída para os seus trabalhadores seria a estatização completa da empresa. Mas essa opção nunca foi considerada pelo governo Lula, que demonstra, mas uma vez, sua falta de comprometimento com os trabalhadores.

Eminência parda
Outro fato que chamou a atenção foi a presença de um discreto executivo chamado Lap Chan. Ele representa o fundo de investimento norte-americano Matlin Patterson, que tem participação acionaria na VarigLog. De acordo com notícias da imprensa, foi Chan que conduziu as negociações da VarigLog com empresas de leasing, fundo de pensão e fornecedores.

Ele é um dos fundadores do Matlin Patterson, que opera recursos de fundos de pensão norte-americanos, fundos públicos e pessoas físicas. O fundo se especializou em comprar empresas em dificuldades financeiras, recuperá-las para depois vendê-las.

Embora seja proibida a aquisição de empresas aéreas brasileiras por multinacionais, a impressão é de essa norma foi burlada no caso da Varig, pois a presença de um dos sócios da Matlin Patterson foi decisiva na realização do leilão. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a VarigLog pretende ficar com a Varig por 9 anos e depois vendê-la.