Universidades paulistas ultrapassam dois meses de paralisação

Até o fechamento dessa edição, não havia se definido o resultado da reunião entre o Fórum das Seis e o CRUESP, ocorrida no dia 26. O CRUESP propôs novamente 2%, o que foi prontamente recusado pelos grevistasProfessores, estudantes e funcionários da USP, Unesp e Unicamp ultrapassam dois meses de greve, enfrentando a mais dura intransigência e autoritarismo dos reitores e do governo Alckmin. Não conseguindo quebrar o movimento, os reitores e o governo passaram a criminalizar a greve unificada.

Os estudantes das três universidades foram reprimidos durante várias mobilizações da greve. Na ocupação da reitoria da Unesp, no dia 18 de junho, a polícia militar agrediu os alunos com cassetetes e gás pimenta. Já durante a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias na Câmara, quando os deputados recusaram o aumento do repasse às estaduais, os alunos também foram alvos de uma vergonhosa agressão da PM.

Na Unicamp, o reitor e presidente do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), Carlos Henrique de Brito Cruz, deflagrou uma intensa perseguição política contra os estudantes que ocuparam a reitoria da universidade no dia 2 de julho. O reitor declarou que identificará o maior número possível de alunos que ocuparam o prédio e os processará. Como se não bastasse, Brito Cruz ainda exigiu que a Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp) divulgasse moção de repúdio à ocupação. No entanto, o que a entidade divulgou foi uma moção repudiando a atitude autoritária do reitor.

Mobilização barra repressão na USP

Já na USP, o reitor Adolpho José Melfi pediu reintegração de posse do prédio da Reitoria, que estava bloqueada pelo movimento de greve. A reintegração deveria ser executada até a manhã do dia 20. Melfi só não jogou a polícia em cima do movimento devido à mobilização de estudantes, docentes e funcionários, que resolveram resistir e armaram barricadas de pedra no portão do prédio. Após intensa negociação, o reitor foi obrigado a recuar do pedido de reintegração de posse.

Intransigência não derrota greve

No entanto, apesar de toda a repressão e truculência, o movimento não só não arrefeceu, como se radicalizou mais ainda. Na rodada de negociações do dia 20, o Fórum das Seis, que reúne entidades representantes de funcionários, estudantes e professores das três estaduais paulistas, arrancou uma proposta de 2% de reajuste do Cruesp, que antes só propunha 0%. O Fórum reivindica 9,41% de reajuste.

O movimento decidiu continuar a greve, pois a proposta do Cruesp é irrisória e os próprios reitores admitem que houve aumento da arrecadação do ICMS. Os funcionários da Unicamp retornaram à greve no dia 26. O Fórum das Seis, diante da postura do Cruesp e da força do movimento, deliberou pela intensificação e radicalização da greve.
Post author José Eduardo Galvão, de Campinas (SP)
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