Universidade Estadual do Ceará: parar para não parar!

Os estudantes da UECE em Fortaleza estão em greve desde o dia 11, depois que todas as assembléias dos campis deliberaram pela paralisação, num verdadeiro efeito dominó. Essa é uma greve diferente, pois começou nas unidades e faculdades do interior (algumas paralisadas há mais de dois meses), que se encontram num estado de penúria, e ganhou a capital. O nível de mobilização também é muito bom. As atividades marcadas pelo comando de greve acontecem depois que os estudantes, diariamente, remontam as barricadas desfeitas pela reitoria durante a madrugada. Os professores da UECE, em uma assembléia com 150 docentes, também oficializaram a paralisação da categoria.

A principal exigência é a abertura imediata de concurso público para a contratação de 314 professores efetivos. Existem cursos no interior que estavam “funcionando” com um único professor! Na capital, o número de professores substitutos que vão ter seus contratos vencidos até o final do ano é alarmante. A greve também é contra as fundações privadas, e exige o aumento do valor e do número de bolsas, a construção de um novo bandejão (o atual está desativado) e residências universitárias, que não existem. Além disso, também é urgente um concurso para técnico-administrativo. O número dos “bolsistas de assistência”, que ganham R$ 120, já superou o número de servidores da universidade. Um verdadeiro absurdo!

A greve deve continuar, agora com mais força, devido à adesão dos docentes. Está marcada uma mobilização unificada com os professores do ensino fundamental e médio, nesta quinta, dia 19 de maio, que também ameaçam a entrar em greve.

Greve também é contra a reforma Universitária de Lula e de rechaço aos governistas!
A situação que vive a UECE é fruto da aplicação dos planos neoliberais para a educação, levado a cabo pelos tucanos por mais de 20 anos no Ceará. Para o governo de Lúcio Alcântara (PSDB), cabe às universidades apenas o ensino de curta duração. A pesquisa deve ser feita através de convênios com o setor privado, daí os sucessivos cortes de verbas que as universidades estaduais estão sofrendo. No entanto, a comunidade universitária sabe que o grande inimigo está no planalto central com sua reforma universitária. Sem dúvida, o processo de privatização e sucateamento da UECE vai aumentar, se a reforma de Lula passar. Por isso, uma das mais importantes vitórias desse início de greve foi a inclusão da luta contra a reforma universitária de Lula/FMI na pauta de estudantes e professores!

A greve também está mostrando que não há espaços para os governistas de plantão. Na assembléia de estudantes que deliberou pela greve, o anúncio da presença do vereador Salmito do PT (defensor da reforma de Lula) foi recebida por uma sonora vaia. Na palestra sobre a reforma universitária e os rumos do movimento estudantil, o representante da UNE chegou no final da atividade para defender a reforma. A chacota tomou o lugar das vaias. Um estudante disse: “admiro muito a coragem do representante da UNE ao defender a reforma, é uma tarefa muito difícil”. A CONLUTE estava na mesa e disse que é possível derrotar a reforma de Lula e que essa luta se fortalece à medida que os estudantes rompem com UNE governista, sendo que o próximo passo é não ir ao CONUNE. A defesa de não ir ao próximo CONUNE teve uma boa receptividade. No final uma estudante perguntou como faz para ajudar a organizar a CONLUTE.