Uma história que se repete

O Brasil pode ter um ataque especulativo antes do fim do ano, como aconteceu em 1997 e 2002.Na verdade, todo o empenho do governo em aplicar os planos do FMI não garante a estabilidade. Ao contrário, ao abrir o país à dominação das grandes empresas multinacionais, expõe mais e mais o país às flutuações e crises do mercado mundial.

No primeiro ano do governo, a “estabilidade” foi possível por um momento especial da economia internacional, em que, além do crescimento dos EUA, existia uma abundância de capitais especulativos disponíveis. Como as taxas de juros nos EUA estão muito baixas, esses capitais buscavam outros países para investir, e foram atraídos pelos altos juros brasileiros.

Neste momento, existe a expectativa de que os juros nos EUA voltem a subir. Somente este fato levou os capitais especulativos, que estavam aplicados no Brasil, começarem a se deslocar novamente para os EUA. Como o Brasil está completamente aberto a esses capitais e depende diretamente deles para pagar as amortizações e juros das dívidas interna e externa deste ano, a crise já aponta no horizonte. A crise do Iraque e a alta do petróleo aumentam as incertezas na economia mundial.

Nada indica que este processo vá parar no estágio atual. Na medida em que se confirme o quase inevitável aumento dos juros nos EUA, a crise vai acentuar-se. Pode ser que ocorra um ataque especulativo, antes do fim do ano, como aconteceu em 1997 e 2002. As conseqüências para os trabalhadores serão graves, entre elas, o aumento do desemprego. Em perspectiva, o país caminha para uma explosão econômica, que pode ser neste ano ou mais tarde, parecida com a que ocorreu na Argentina.

A conclusão, portanto, é oposta à do governo. Eles dizem que por terem feito todo o dever de casa, determinado pelo FMI, conseguiram a estabilidade. Entretanto, a estabilidade foi produto de um momento que já está passando. Como o governo é um bom menino do FMI, o país hoje está mais exposto do que nunca às crises do mercado internacional.

Post author Eduardo Almeida, da redação
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