Uma confusão deliberada

P-SOL quer o apoio dos que tem e dos que não tem acordo com seu partidoO P-SOL está desenvolvendo sua campanha de legalização, essencialmente a partir de um eixo democrático, pedindo que assinem os que estão de acordo com o seu direito de existir. Ou seja, chamam todos a assinarem por sua legalização, estejam ou não a favor das propostas do P-SOL.

Nós estamos a favor de que o P-SOL ou qualquer outro partido seja legalizado. Somos contra as exigências do estado burguês e defendemos a livre existência dos partidos, sejam de esquerda ou de direita. É um absurdo que se exijam 400 mil assinaturas para legalizar o P-SOL, da mesma maneira como é um absurdo que se dêem 14 minutos para um partido na TV e 30 segundos para outro. Isso é absolutamente antidemocrático e não ocorre em outros países capitalistas. Na Espanha, basta a inscrição na justiça eleitoral dos responsáveis para a legalização do partido. Na França, todos os candidatos têm 5 minutos diários na TV.

O PSTU teve que, no passado, cumprir as tarefas de legalização, o que significou um enorme esforço de nossa militância. Hoje enfrentamos as limitações antidemocráticas das restrições do nosso tempo de TV e rádio.

Nesse sentido nos dispomos a participar de qualquer mobilização, ou de firmar um abaixo-assinado para exigir o fim das 400 mil assinaturas para a legalização dos partidos. Da mesma forma nos dispomos a uma luta democrática para que todos os partidos tenham tempo igualitário na TV e rádio.

Mas o P-SOL não está pedindo assinaturas para isso, está querendo que os ativistas assinem para legalizar sua legenda, e isso é outra questão. Estamos a favor do direito de todos os partidos a se legalizar, sejam de direita ou esquerda, reformistas ou revolucionários, mas não apoiamos todos os partidos, nem achamos que são progressivos.

Se Ciro Gomes romper com o PPS e quiser formar outro partido, nós estaremos a favor do direito democrático de que o seu partido exista, mas não vamos firmar o abaixo-assinado de sua legalização, porque isso implica em um apoio político a este partido.

O P-SOL tem todo o direito de existir. Mas sua campanha de legalização deve se apoiar naqueles que concordam com as propostas do P-SOL.

Apoiar ou assinar o abaixo assinado do P-SOL é apoiar politicamente este partido, e nós não estamos a favor disso. O P-SOL é um partido reformista que quer reeditar a experiência do PT, de levar as massas a centrarem suas esperanças de mudar o país nas eleições de 2006, com a candidatura de Heloísa Helena. Nós, ao contrário, apostamos nas lutas diretas dos trabalhadores e da juventude. Nós participamos das eleições, mas não nos iludimos com elas, participamos para apoiar as lutas e divulgar um programa revolucionário.

Respeitamos o direito de que os companheiros tenham esta posição e defendemos seu direito à legalidade, mas não apoiamos esse projeto eleitoreiro. Os ativistas e a esquerda brasileira já viveram essa experiência com o PT e Lula e repetí-la agora seria um erro muito mais grave.

Os companheiros têm uma postura tão reformista que se recusaram a formar um movimento comum com o PSTU, nos excluindo das discussões sobre o novo partido.

Por isso, não estamos a favor de apoiar o P-SOL e chamamos os ativistas também a não assinarem.
Post author Eduardo Almeida, da redação
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