Uma candidatura operária em São José dos Campos

fala Luiz Carlos Prates, o ‘Mancha´, pré-candidato a prefeitoQuais são os principais pontos do programa do PSTU para essas eleições?
Mancha –
Queremos debater os grandes temas nacionais nas eleições, pois estão diretamente relacionados aos problemas da cidade. São José não é imune à globalização capitalista e às contradições existentes no país.
Nosso programa partirá da necessidade de construirmos uma oposição de esquerda ao governo Lula e ao seu projeto. Vamos defender o fim do pagamento da dívida externa e a ruptura com o FMI e com as negociações da Alca.
Em nível local, nosso programa irá priorizar a luta contra o desemprego, que cresce a cada dia na região. Vamos defender a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, para que possamos gerar mais empregos. Vamos defender também o fim das isenções fiscais às empresas. Nossa campanha será porta-voz da luta dos sem-tetos. Hoje, temos um déficit de mais de 10 mil moradias. Defenderemos também o fim da Lei de Responsabilidade Fiscal, responsável pelo sucateamento dos serviços públicos.

Qual é a situação de São José dos Campos e da administração da Prefeitura da cidade?
Mancha – São José é uma cidade com muitas empresas, portanto, possui uma boa arrecadação tributária. Mas a situação de desenvolvimento da cidade contrasta com a situação de miséria e desemprego da maioria da população local. Hoje temos quase 40 mil desempregados na região.

As promessas de geração de emprego feitas pelo prefeito Emanuel Fernandes (PSDB) se revelaram uma farsa completa. Depois de desviar dinheiro da saúde e educação para oferecer incentivos fiscais a multinacionais, o que vimos nos últimos anos foi a evasão dessas indústrias e o aumento do desemprego. Por exemplo, a indústria Solectron, depois de dois anos de incentivos fiscais, fechou suas portas, deixando milhares de desempregados na cidade.

Outra farsa foi o programa de desfavelização da Prefeitura. Esse programa foi uma tentativa de esconder a pobreza e a miséria da cidade. A falta de uma política habitacional levou à eclosão de um grande movimento de sem-tetos e à ocupação de um terreno que estava há mais de 30 anos abandonado. Hoje, esse movimento enfrenta uma dura repressão. A Câmara Municipal chegou a votar uma lei absurda que proíbe as pessoas que participam de ocupações se inscreverem em programas de habitação.

Como será o processo eleitoral?
O PSDB vai tentar se manter na prefeitura para continuar governando para os ricos. Para isso lançou como candidato o secretário municipal Eduardo Curi.

O PT, que já ocupou a prefeitura, provou que no seu governo não fez nada de diferente da atual administração. Na verdade, o PT não é oposição. Seu candidato, o deputado estadual Carlinhos de Almeida, elogia a atual administração dizendo que ela é boa, mas que deve ser melhorada, ou seja, em essência, seu projeto é o mesmo do PSDB: aplicar políticas sociais compensatórias, manter o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) do FMI e não resolver os problemas da cidade, como saúde, moradia e desemprego. O tal “modo petista de governar” foi o que começou com a política de isenções fiscais às multinacionais.

Além disso, a candidatura petista vai defender as medidas do governo Lula contra os trabalhadores, como o salário mínimo de R$ 260 e as reformas que estão sendo preparadas, como as Sindical e Trabalhista, que pretendem acabar com direitos históricos.

Qual é a posição do PT sobre as ocupações promovidas pelo movimento dos sem-tetos?
O PT não participou das ocupações e deixou claro que não as apóia.

Como a sua pré-candidatura vem sendo recebida na cidade?
A candidatura tem entusiasmado os trabalhadores nas fábricas, que, em sua maioria, sempre votaram no PT, mas, hoje, vêem na candidatura do PSTU uma alternativa de esquerda. Há também repercussão no movimento popular, pois o PSTU está presente na ocupação Pinheirinho, onde fizemos o 1º de Maio. Existe a possibilidade de uma grande campanha do PSTU na cidade.
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