Um grito de resistência

Os dias 19 e 20 de março serão datas internacionais de protestos contra a invasão ao IraqueA jornalista italiana Giuliana Sgrena, repórter do jornal de esquerda Il Manifesto, foi libertada no Iraque após um mês de seqüestro. Quando ela seguia para o aeroporto de Bagdá, as forças dos EUA dispararam mais de 300 tiros em seu carro. Um agente da inteligência italiana morreu e Sgrena foi ferida no ombro. Não foi um acidente ou um engano.

E também não foi um caso isolado. Eason Jordan, um dos diretores da CNN, foi obrigado a deixar seu cargo depois de afirmar que os soldados americanos no Iraque deliberadamente atiram sobre jornalistas. Há vários casos como os de Sgrena que comprovam a afirmação. A Organização Não Governamental Repórteres Sem Fronteiras já somou a morte de 33 jornalistas e 15 técnicos no Iraque desde o início da guerra. Se jornalistas são mortos de forma indiscriminada, imagine então o que os soldados dos EUA estão fazendo contra a população civil.

Parece que Bush não quer só ocupar o Iraque, passar por cima da soberania de um país e matar inocentes. Ele também quer que o mundo não conheça as atrocidades que ele está cometendo e a derrota que vem sofrendo a cada dia. Ele não quer que os jornais de todo o mundo mostrem a resistência iraquiana que ataca diariamente as forças invasoras. Não quer que todos saibam que a resistência já é composta de centenas de milhares de iraquianos e que tem o apoio das massas. E Bush também não pretende passar novamente pelo vexame mundial de ver as torturas e mortes de civis, cometidas pelo seu exército, estampadas nos jornais. Se não pode vencer a guerra, Bush quer, ao menos, tentar salvar sua imagem, ou pelo menos amenizar o estrago. Sgrena quase morreu porque sabia demais.

O problema é que tudo o que ele ainda quer esconder já é público. O escândalo das torturas, a resistência que cresce no Iraque, as mortes de civis, a completa falta de justificativas para a invasão, a farsa das eleições, tudo demonstra a derrota em que Bush se afunda. O mundo todo cultiva um profundo ódio pelo governo norte-americano.

Muitas manifestações lotaram as ruas de cidades do mundo inteiro no início dessa guerra. Centenas de milhares de lutadores foram expressar esse ódio em ações contra a invasão. Neste momento em que a resistência iraquiana começa a impor uma derrota às forças de ocupação norte-americanas, é hora de o mundo gritar novamente contra a guerra, pois ela não terminou.

Os dias 19 e 20 de março serão datas internacionais de protestos contra a invasão ao Iraque. Mais do que estar presente e exigir o fim da guerra, mais do que gritar um ódio incontido ao imperialismo e suas tropas, é preciso apoiar a luta da resistência. Nessa data, é preciso levantar a bandeira da autodefesa dos iraquianos e defender suas ações contra as tropas invasoras. Uma vitória da resistência é uma derrota do imperialismo e, conseqüentemente, uma vitória de todos os explorados do planeta. Não deixemos que Bush a oculte da imprensa e do mundo.

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