Um chamado aos lutadores e socialistas

Estamos na reta final da campanha eleitoral, no momento em que as pessoas definem finalmente em quem vão votar.

Nós, do PSTU, queremos nos dirigir aos ativistas que nos acompanham nas lutas do movimento sindical, estudantil e popular. Queremos falar também a todos os que têm acordo com as propostas que temos defendido na campanha eleitoral.

Queremos abertamente fazer uma discussão com você, que concorda com a gente mas pensa em votar no PT para “evitar a vitória da direita”, ou para “votar em candidaturas viáveis”. Enfim, você que está pensando no chamado “voto útil”.
O chamado “voto útil” é uma das piores tradições da política brasileira. É uma expressão de conformismo com a realidade atual, buscando alternativas dentro dos partidos dominantes. Mas você acha que está tudo bem no país e basta manter o que está aí?

Você sabe que existe uma brutal desigualdade social. Sabe que há uma saúde para os ricos e outra para os pobres. Que existe educação e transporte de qualidade para os ricos em contraste com o caos na educação e transporte públicos. Sabe que as multinacionais e bancos continuam tendo altíssimos lucros, enquanto nossos salários são pequenos e estamos cada vez mais endividados.

Porque então manter tudo como está? Porque não apostar na mudança? Porque não manifestar em seu voto a sua consciência de que as coisas não vão bem?

Voto “útil” pra quem?
Existe um grande engano entre os trabalhadores que consideram que, como o PT está no poder, existe um “governo de esquerda” ou “governo dos trabalhadores”. Isso não é verdade. O PT está usando suas vitórias eleitorais para fazer governos que aplicam o mesmo programa da direita.

O plano econômico em vigor no país é neoliberal, o mesmo conteúdo do que foi aplicado por FHC no país. É apoiado nas multinacionais e bancos que tiveram, nos dois governos Lula e agora no de Dilma, lucros ainda maiores que os conseguidos nos tempos do PSDB. Até mesmo as privatizações, tão identificadas com a direita, foram mantidas pelo PT, e agora estendidas as rodovias, ferrovias e aeroportos por Dilma.
Não é por acaso que as empreiteiras e os bancos dão mais dinheiro para as campanhas do PT que do PSDB e DEM. Não é por acaso que Haddad está gastando mais dinheiro que José Serra nas eleições em São Paulo, tudo doado por essas empresas.

Um voto no PT é, portanto, um voto nesse programa de direita que está sendo aplicado pelo PT. Ou seja, vai dar mais força para uma política que você considera errada, como também é nossa opinião.

Isso pode ficar ainda muito pior. O governo Dilma está estudando a aplicação dos chamados Acordos Coletivos Especiais (ACEs), uma proposta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que já foi apresentada e está sendo discutida no Congresso Nacional. Na verdade, tais “acordos” não passam de uma reforma trabalhista disfarçada, pois estariam acima da legislação e poderiam, portanto, levar a cortes do décimo terceiro salário, das férias para “evitar o desemprego”. Ou seja, o governo do PT, com a desculpa da crise internacional, está preparando um ataque sobre os direitos dos trabalhadores que nem os governos do PSDB conseguiram.
Pense nisso: um voto no PT em qualquer cidade do país vai ser um ponto de apoio para o governo Dilma impor esse ataque aos trabalhadores.

Será realmente um voto útil… mas para os banqueiros, as multinacionais, o imperialismo… O voto no PT não é um voto útil para os trabalhadores.

Votar em candidatos “viáveis”?
Outra versão do voto “útil” é o voto nos “viáveis”. Essa versão inclui a pressão pelo voto no PT e, em alguns lugares, também pelo voto no PSOL.
O PSOL, muitas vezes nos ataca, dizendo para não votar nos candidatos do PSTU que seriam “inviáveis”. Usam em relação ao PSTU a mesma arma que o PT usa contra o PSOL.
É mais uma forma de engano. Se estamos falando da possibilidade de ganhar eleições majoritárias, o PSOL amarga na maioria das cidades, índices de 1% ou menos, semelhantes aos dos candidatos do PSTU nas pesquisas. Ou seja, por esse critério defendido pelo PSOL, suas candidaturas são completamente “inviáveis”. Por outro lado, em vários lugares, existem candidaturas a vereador do PSTU com chances reais de se eleger.

Nós estamos completamente contra esse critério de “viabilidade”, tanto para o PSTU como para o PSOL. Essa é mais uma expressão do conformismo, da aceitação da situação atual, de não apostar na mudança, no programa anticapitalista, nas lutas. Os que estejam de acordo com o programa e o perfil do PSOL devem votar nesse partido. Os que estejam de acordo com o programa e o perfil do PSTU devem votar em nós.
Em alguns dos locais em que o PSOL tem um peso eleitoral maior, estamos juntos em frentes eleitorais, como é o caso da candidatura Edmilson Rodrigues (PSOL) em Belém ou de Vera (PSTU) em Aracaju. No Rio de Janeiro, o PSOL não aceitou uma frente eleitoral, e a candidatura Marcelo Freixo vai cada vez mais à direita para crescer nas pesquisas, aceitando o corte do ponto de grevistas e a desocupação de comunidades. Em Aracaju, Vera tem hoje 7% nas pesquisas e não precisou ir à direita para isso. Segue defendendo o mesmo programa anticapitalista.

É preciso que o PSOL deixe de lado a defesa da “viabilidade eleitoral”, que é usada (com muito êxito) contra o próprio PSOL pelo PT. O critério da “viabilidade” é extremamente antidemocrático.

Voto útil é um voto no PSTU
Você nos conhece, sabe que estamos junto com você nas lutas. Sabe, portanto, que um voto em um candidato do PSTU é um voto na sua própria luta.

Se você concorda com o programa classista e anticapitalista que defendemos nessas eleições, vote em nossos candidatos. Isso vai fortalecer nosso programa, em contraposição aos programas de direita defendidos tanto pelo PT como pelo PSDB-DEM.
A eleição de um candidato do PSTU será uma vitória da luta e de um programa classista e anticapitalista. Isso pode ser uma mudança importante na realidade da oposição de esquerda no país.

Por outro lado, ainda que um candidato do PSTU não se eleja, o voto nele terá sido extremamente útil. Útil para deixar claro que nossa proposta tem eco entre os trabalhadores e jovens. Para expressar que os que não se conformam estão crescendo.
Útil para demonstrar a dimensão da insatisfação entre os lutadores e socialistas.
Una-se a nossa campanha votando e conseguindo cinco votos para nossos candidatos. Una-se a nossa campanha ajudando a convencer seus colegas de trabalho, familiares e vizinhos a votar em nossos candidatos.
Una-se a nós e filie-se ao PSTU, para fortalecer o partido das lutas e do socialismo.

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