Um 8 de Março contra as reformas de Lula e do FMI

Para se lutar contra o machismo, também é preciso combater as reformas neoliberais do governo Lula, dos pelegos e do FMINeste 8 de Março, as mulheres trabalhadoras e da juventude têm um motivo a mais para ir às ruas. O governo neoliberal do PT, com suas reformas, prepara um ataque aos trabalhadores e à juventude, num país marcado pelas desigualdades sociais, pela miséria, colocando uma lógica perversa no seu elo mais frágil que são as mulheres trabalhadoras, pobres e negras.

Hoje, as mulheres representam 51,2% da população, sendo 46% negras. São aproximadamente 89 milhões, das quais 42% estão no trabalho formal e 57% no trabalho informal. Segundo dados do IBGE, de 2003, a taxa de desemprego das mulheres é 58% maior que a dos homens. Se considerarmos as mulheres negras, a taxa é ainda 20% superior do que entre as brancas.

Além disso, faltam creches no país – em 2003, as existentes atendiam apenas 28,38% das crianças – e a violência doméstica faz com que uma em cada cinco mulheres brasileiras tenha sofrido algum tipo de violência por parte de um homem.

O papel das organizações feministas
O apoio que Lula recebe da CUT e Força Sindical é acompanhado pelas mulheres que estão em departamentos, secretarias ou coletivos de partidos como PT, PCdoB, e entidades do movimento sindical, ou de movimentos feministas, como a União Brasileira de Mulheres (UBM).

Essas mulheres não só apóiam as reformas, como estão diretamente ligadas a órgãos governamentais. No último período, também ajudaram a elaborar o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que faz um diagnóstico da terrível situação em que as mulheres vivem, mas apresenta apenas “planos vazios” como caminhos para resolver os problemas, excluindo soluções reais como o não pagamento da dívida externa, o rompimento com o FMI e a Alca.

A Marcha Mundial de Mulheres, surgida em 2000, como fruto da luta das mulheres canadenses por salário mínimo, foi responsável pelo lançamento da Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, cuja introdução aponta o patriarcado como o responsável pela opressão e o capitalismo como fonte da exploração das mulheres. O mundo proposto por elas, porém – com liberdade, solidariedade, igualdade, justiça e paz –, não apresenta o caminho para a destruição da sociedade dividida em classes e a construção de uma sociedade socialista. Defende, em vez disso, a “cidadania” para as mulheres, e repudia qualquer tipo de violência em nome da paz que deve ser conseguida com “soluções pacifistas”.

Como se não bastasse, ao mesmo tempo que o do lançamento dessa carta, cujo ponto de partida foi o Brasil, as entidades aglutinadas em torno da Marcha assinaram um “protocolo de cooperação” entre o Ministério da Educação e os movimentos sociais, apoiando a redação final do Anteprojeto de Lei da reforma da educação superior. E mais: fazem uma campanha pelo aumento do salário mínimo que dobraria em quatro anos e chegaria, daqui a oito anos, a R$ 730.

Conseqüentemente, essas entidades não participaram das marchas à Brasília contra as reformas do governo, mas participam da elaboração e afirmação de políticas públicas assistencialistas dos governos municipais, como ocorreu na administração Marta em São Paulo, e da elaboração de políticas para as mulheres do governo federal.

As mulheres devem se organizar para lutar
A verdadeira saída para a situação em que trabalhadores, em geral, e as mulheres, em particular, vivem no Brasil é a luta contra as políticas neoliberais do governo Lula e a construção de uma alternativa aos pelegos da CUT e da Força Sindical. Por isso, é necessário que as mulheres estejam na linha de frente, em cada fábrica, escola, universidade ou bairro, das lutas que objetivem derrotar as reformas Sindical, Universitária e Trabalhista, construindo uma nova alternativa à CUT e à UNE.

Brasil, Iraque, Argentina…
A luta das mulheres é internacional!

Em todos os cantos do mundo, mulheres estão em luta. Nos países governados por capachos do imperialismo, como Lula, no Brasil, há mulheres combatendo as políticas de retirada de direitos e por melhores condições de vida, como foi o caso das companheiras presas em Caleta Olivia, na Argentina, por lutar por emprego. Em outros países, são muitas as mulheres que pegam em armas, enfrentando governos e o machismo. No Iraque, apóiam a resistência à ocupação. E são muitas as mulheres que compõem a resistência palestina.
A mulheres são vitimadas pela combinação de machismo e repressão política. Por isso, quando nós sairmos às ruas no dia 8 de março, devemos prestar solidariedade a todas as lutas das mulheres, exigindo o fim da repressão e das prisões.

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