Três notícias que não se lêem por aí

Foram muito divulgados os resultados das pesquisas indicando que os índices de popularidade de Lula seguem altos. A maioria dos trabalhadores continua acreditando no governo, confundida pela figura do presidente e pelos efeitos do crescimento econômico.

Lula se beneficiou duplamente da evolução da economia. A crise de 2000-2001 provocou o desgaste do plano neoliberal e do governo FHC, favorecendo a vitória do PT. Lula se beneficiou do ciclo de crescimento econômico que veio depois, com seu discurso de “preocupação com o povo porque veio de baixo”. Mas os sinais da próxima crise econômica indicam que Lula terá que atacar mais duramente os trabalhadores para manter os lucros da burguesia.

Por outro lado, uma parte importante dos setores mais avançados dos trabalhadores e estudantes já começou uma ruptura com o governo. Isso está se expressando nos últimos dias no movimento sindical, estudantil e popular de forma riquíssima. Algo que não é noticiado pela imprensa burguesa.

Em São José dos Campos (SP), o Sindicato dos Metalúrgicos, um dos fundadores da Conlutas, está dirigindo a luta até agora vitoriosa dos operários da General Motors para derrotar o banco de horas, que já foi aceito pela direção da CUT nas montadoras do ABC Paulista.

A diferença não está na disposição de luta das bases, mas na política das direções. A CUT pelega e defensora do governo ajudou a patronal a impor o banco de horas e a flexibilização trabalhista. A Conlutas está na linha de frente contra a GM, a prefeitura e o governo federal, que defendem a proposta.

No Rio de Janeiro, ocorreu no fim de semana uma reunião das entidades estudantis para preparar a luta contra o Reuni (a reforma universitária privatizante do governo). Foi uma vitória da Conlute e dos DCEs que querem encaminhar a luta por fora da UNE governista. A proposta das correntes do PSOL de ligar o movimento à UNE foi claramente derrotada, e ganhou a preparação de um plebiscito na base. Fortaleceu-se muito a proposta de construção de uma nova entidade do movimento estudantil, alternativa à UNE.

Já em Sobradinho (BA), entre os dias 25 e 27 deste mês, se reúnem as entidades que estão à frente da luta contra a transposição do rio São Francisco. Trata-se de um evento importante depois da greve de fome de dom Cappio. Aqui está se esboçando também a ruptura de todo um setor da igreja com o governo, a partir de sua própria experiência, resumida nas palavras do bispo: “Lula morreu. Estamos no governo Inácio da Silva. No governo dele, os movimentos sociais foram abafados, perderam o espaço de expressão e hoje estão à margem”.

É fundamental que todos estes processos se direcionem para a construção do Congresso Nacional da Conlutas, que será realizado em julho deste ano. É preciso avançar na construção de uma direção unificada para as lutas do movimento de massas no país.

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