Trabalhadores Sem-Teto ocupam terreno em Brasília

Acampamento batizado de Gildo Rocha, em homenagem ao militante do PSTU assassinado há 11 anos pela políciaNo último dia 16 de julho, sábado, cerca de 400 trabalhadores sem teto, e sem direitos, organizados pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocupam um terreno baldio à beira da via Estrutural (BR-070). A ocupação acontece por conta da falta de políticas públicas de habitação do Governo do Distrito Federal.

A situação da Moradia no DF
O déficit habitacional no DF hoje é de 130 mil casas. Ou seja, se cada família tem 4 pessoas, mais de meio milhão vive em condições precárias no DF, em casas de parentes, dividindo imóveis com outras famílias, etc. Há na capital de nosso país um estoque de terras suficiente para que todos os moradores do DF tenham acesso a seu lote, e é possível construir moradias populares de qualidade para 150 mil famílias em quatro anos, utilizando para isso menos de 5% do orçamento anual do GDF.

Há hoje no DF cerca de 360 mil pessoas cadastradas na Codhab (Companhia de Desenvolvimento em Habitação no DF) esperando há 20, 30 anos por seu lote. Estas listas sempre foram utilizadas para formação de Curral eleitoral no DF. Enquanto isso, os milhares de quilômetros quadrados de terras ociosas estão hoje à mercê da especulação, na cidade com o metro quadrado mais caro do país; e centenas de milhares de famílias no passado tiveram de comprar seus lotes de grileiros e estão sendo intimadas pelo governo a pagar mais uma vez por seus lotes.

Hoje, um aluguel em um barraco simples na periferia das cidades satélites não sai por menos de 300 reais. Um trabalhador que ganha 545 reais não tem condições de gastar mais da metade de seu salário em moradia, e ainda prover sua família com alimentação, vestimenta, saúde, etc.

O movimento
A ocupação começou no dia 16 de julho num terreno público na Via Estrutural, próximo à Ceilândia. Foram montadas barracas de lona, improvisaram-se uma cozinha e banheiros, onde cerca de 100 famílias estão morando desde o fim de semana.

Na manhã da segunda-feira, dia 18, uma manifestação foi organizada em frente ao Palácio do Buriti, sede do Governo do Distrito Federal, para tentar impedir a operação comandada pelo Governo Agnelo (PT) para derrubar os barracos armados e retirar os ocupantes. A derrubada chegou a acontecer, contudo, o movimento resistiu e nesta terça os barracos voltaram a ser erguidos.

Na reunião de terça-feira, 19, o governo ofereceu alojar os manifestantes em um ginásio em Brazlândia (cidade satélite no DF), ou pagar um auxílio aluguel durante dois meses. A proposta foi rejeitada pelos representantes, pois não atende às reivindicações.

“Não temos lugar para morar depois que o prazo do auxílio-aluguel terminar. E não podemos ficar morando em um ginásio para sempre. Esse é um problema que o governo precisa solucionar”, disse Rosália, uma das coordenadoras do MTST.

Nesse dia 20, manifestantes que permaneciam acampados em frente ao Palácio do Buriti ocuparam a entrada do Ministério das Cidades. Ativistas do MTST se acorrentaram no prédio do ministério. Agora são mantidas duas ocupações, uma no terreno às margens da BR-070 e outra na Esplanada. Aos poucos o número de famílias presentes vai aumentando e o movimento se fortalecendo.

Governo Agnelo não está com os lutadores
Agnelo prometeu que zeraria o déficit habitacional do DF por meio do programa Minha Casa, Minha Vida. O programa, do Governo da presidente Dilma, ao invés de atender a população carente com casas populares, atende na verdade as construtoras que recebem enormes cifras para realizar as obras. Os salários dos brasileiros já estão hoje corroídos pelas dívidas, e quem ganha 545 reais de salário mínimo (quando ganha) não tem condições de assumir dívidas com pagamento de moradia.

Além de ordenar a desocupação, Agnelo afirmou ao G1 que o movimento era resultado de aproveitadores que utilizavam a população carente, e reafirmou que usará a polícia para tirar os ocupantes de lá.

O governador do DF tenta com essa afirmação desqualificar o movimento e colocar a população contra os manifestantes. Na verdade a ocupação é formada por trabalhadores que não agüentam mais a enrolação do governo em dar uma solução definitiva para o problema de moradia no DF.

Homenagem
Em homenagem ao sindicalista Gildo Rocha, cruelmente assassinado pela Polícia Civil durante uma atividade de greve do Serviço de Limpeza Urbana em 2000, o acampamento foi batizado com seu nome. No dia 21, o assassino de Gildo vai a júri popular em Brasília.

“Seja bem-vindo! Aqui lutamos por moradia digna para toda a população!”

O movimento segue forte e seguirá acampado até que as famílias ganhem o direito definitivo de ocupar aquele, ou algum outro terreno na cidade, destinado a construção de suas casas.

Todo apoio à luta dos trabalhadores sem teto!
Por uma política de moradia no DF!
Pela destinação de 5% do orçamento anual do DF para a construção de 130 mil casas populares!

LEIA NO BLOG DO PSTU DE BRASÍLIA

  • A luta dos que não tem uma casa para morar