Trabalhadores dos Correios de SP vão às urnas dia 15

Pressão da base garantiu vitória judicial e anulação de eleição fraudadaNos dia 15, 16 e 17 de janeiro ocorrerão as novas eleições para o Sindicato dos Trabalhadores do Correios de São Paulo (SINTECT-SP). Desta vez, a eleição será limpa e democrática, disputada por seis chapas.

A Justiça acatou o pedido feito por trabalhadores da categoria de cancelamento da eleição anterior, sustentada pela Articulação Sindical/CUT e pela Corrente Sindical Classista (CSC), hoje CTB, e na qual a chapa da Oposição/Conlutas não pôde concorrer. O juiz da 46ª vara de São Paulo determinou o cancelamento da eleição anterior e instituiu uma junta governativa, formada por membros da atual diretoria e da oposição. A junta está comandando o sindicato e é responsável por sua administração até as eleições. Já determinou a volta ao trabalho dos diretores fraudadores e recolheu todos os celulares e veículos.

Chapa 2, da Conlutas, é formada em convenção
Seis chapas concorrem nesta eleição. Quatro delas são atreladas ao governo Lula e à empresa. Compuseram a atual diretoria, foram vaiados na greve por brigas internas e saíram em chapas separadas: a Chapa 1 (Força Sindical), a Chapa 3 (CSC/PCdoB) e a Chapa 6 (racha da Articulação/UGT). Já a chapa 5, que não integrou a atual diretoria, se reivindica da CUT. Essa é a chapa dos “bate paus”, que agrediam os trabalhadores nas assembléias do sindicato.

A chapa 4 é formada por militantes do PCO. No ano passado, este partido foi contra a greve dos trabalhadores dos Correios e, onde dirigem o sindicato, não houve paralisação. Em Belo Horizonte, onde dirigem o sindicato, foram atropelados pela base, que garantiu a greve.

A chapa 2 é formada pela oposição Conlutas e é a única que pode devolver o sindicato à categoria e manter a luta pelos Correios como empresa estatal contra a terceirização e pelas reivindicações da categoria. A chapa foi formada em uma convenção de ativistas e aglutina o que há de melhor da vanguarda da categoria. Também fazem parte outros setores dos trabalhadores dos Correios, como a Frente de Movimento de Base e dirigentes da associação dos aposentados. “Construímos uma chapa ampla para tirar os pelegos da CUT, Força Sindical e UGT e devolver o sindicato para as mãos da categoria”, afirma Geraldinho, que encabeça a Chapa 2 e é militante do PSTU.

No programa da chapa constam vários eixos da luta da categoria nos últimos anos. Uma das principais é a mobilização pelo adicional de periculosidade. Como foi-se o tempo em que os maiores perigos para um carteiro eram os cachorros, a chapa defende a criação deste adicional. Hoje os trabalhadores estão expostos à violência nas ruas, incluindo roubos de malotes, correspondências, entregas e até seqüestros.
Este projeto foi vetado pelo governo Lula que, devido à mobilização da categoria, foi obrigado a conceder um abono de 30% por três meses e um adicional de risco a partir de março, no mesmo valor.

Outra luta é pelo Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) que atenda aos interesses dos trabalhadores. Esse plano, que a direção da empresa ainda não implementou, estabeleceria condições dignas de salário e de trabalho.

Outras bandeiras defendidas são a redução da jornada sem redução de salário e o adicional de quebra de caixa, para os funcionários que lidam com pagamentos do público nas agências.

A chapa da Conlutas também vê a importância de construir um sindicato dirigido pelos trabalhadores de base, evitando a burocratização que foi marca dos grupos governistas. Assim, defende o fortalecimento da organização de base e a construção de um sindicato democrático, com assembléias e a participação de todos. Outro aspecto importante é a luta em defesa da mulher trabalhadora, contra toda forma de opressão e preconceito.

Todo apoio à chapa 2
O sindicato de São Paulo é um dos mais importantes dos Correios, 20 mil trabalhadores na base e com 8 mil sócios com direito a voto. O resultado dessa eleição é importante também no cenário nacional, na luta contra as reformas do governo que retira direitos, como a da Previdência. Por isso, a chapa solicita o apoio de todos os ativistas e sindicatos de luta. Segundo Geraldinho, “uma vitória da chapa 2 oposição/ Conlutas terá uma importância muito grande para o conjunto do movimento dos trabalhadores. Vamos botar para fora a pelegada e devolver o sindicato para os trabalhadores”.