Trabalhadores de fornecedoras da Embraer entram em greve

Produção da Sobraer, Sopeçaero e Pesola fica 100% paradaMetalúrgicos de três fornecedoras da Embraer entraram em greve nesta sexta-feira, dia 25, pela Campanha Salarial e pelo pagamento de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). A Sobraer, Sopeçaero e Pesola, com unidades em São José dos Campos, produzem peças de fuselagem estrutural de aviões. Com a paralisação, 100% da produção foi interrompida.

Na assembleia unificada entre as três fábricas realizada na manhã de hoje, os trabalhadores exigiram o início imediato das negociações da Campanha Salarial, considerando setembro como data-base. O grupo patronal do setor aeronáutico, liderado pela Embraer, insiste em manter novembro como data-base, ao contrário de todo setor metalúrgico.

A paralisação é também uma resposta dos trabalhadores à negativa das empresas em não pagar PLR. Eles reivindicam valor igual ou superior ao pago no ano passado, mas os patrões se recusam a pagar qualquer valor e não aceitam nem mesmo abrir negociações.

Juntas, as três fábricas possuem 250 trabalhadores. Uma nova assembleia deve acontecer segunda-feira, a partir das 6h.

Eletroeletrônicos
Os trabalhadores do setor eletroeletrônico também já deram início às paralisações pela Campanha Salarial. Hoje, metalúrgicos da Lupatech (antiga Metalúrgica Ipê), em Jacareí, parou por duas horas para pressionar o setor a aumentar a proposta de reajuste salarial. Esta semana, a Sadefem parou por 24 horas.

Na última negociação, os patrões ofereceram apenas INPC mais 1% de aumento real. Hoje, uma nova reunião está acontecendo entre o grupo patronal de eletroeletrônicos e trefilação/refrigeração e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Campinas, Limeira e Santos.

Na última quinta-feira, em nova reunião com o setor de autopeças, a patronal ofereceu 1,5% de aumento real. A proposta foi rejeitada pelos sindicatos na própria mesa de negociação já que o índice ainda é muito inferior à reivindicação dos trabalhadores. A mobilização nas fábricas de autopeças segue. Na última segunda-feira, os metalúrgicos da TI Automotive (Bundy) atrasaram a entrada dos turnos em duas horas. Em Campinas, também estão havendo paralisações no setor.

Por enquanto, o único setor a fechar acordo com São José dos Campos foi das montadoras, com 8,3% de reajuste mais R$ 1.950,00 de abono, que deve servir de parâmetro para as negociações com os outros grupos.

“A luta dos metalúrgicos da GM está servindo de exemplo para companheiros de outras fábricas. Se os patrões insistirem em propostas rebaixadas, terão de enfrentar a resistência da classe operária”, afirma o diretor José Donizetti de Almeida.